2014-09-30 13:00:34 Tribuna da Madeira

“Vale a pena apostar no Surf, na Madeira”

É o mais praticado de todos os desportos radicais e tem milhares de adeptos por todo o mundo. Desporto, ou uma filosofia de vida, o surf exerce hoje uma grande influência na moda, na música, no cinema…Os negócios de surf atingem uma grande fatia do mercado mundial e é um dos desportos em que as grandes marcas apostam. Mais de 200 mil portugueses praticam a modalidade no país que tem o melhor clima e condições marítimas para a prática da modalidade na Europa, mas a Madeira não lhe fica atrás. Depois de, há trinta anos se ter dado a conhecer ao mundo as ondas perfeitas do Jardim do Mar, o que ficou conhecido como o “Hawai” da Europa, o Surf  desenvolveu-se na Madeira, mesmo que, pelo meio, tenha esbarrado com a polémica muralha na orla marítima do local que é um ex-libris do surf madeirense. Do Jardim do Mar, o surf expandiu-se para outros locais da Madeira. Tornou-se uma modalidade desportiva rentável e acarinhada por clubes e empresas. O Surf tem na Madeira cerca de 60 atletas federados, inspira festivais de cinema como o mais recente MadSwell – Festival de Surf da Madeira, locais excelentes para a sua prática porque as ondas, essas continuam a vir todos os anos pelo inverno, tal como os surfistas de cá e de lá, entre estes, grandes nomes como Garret Macnamara e Gabriel O Pensador. Para falar do Surf na Madeira, neste “Grande Tema”, pela voz de Orlando Pereira, o presidente da Associação de Surf da Madeira que é também o primeira atleta madeirense federado no surf. Tribuna da Madeira (T.M.) – O Orlando Pereira é um dos nossos surfistas do Jardim do Mar mais reconhecidos. Responsável pela formação da Associação de Surf da Madeira, é também o primeiro surfista madeirense federado. Qual é a sua história no surf? Orlando Pereira (O.P.) – Comecei no calhau, em miúdo, no Jardim do Mar. Nesse tempo, antes de ali ser construída a Promenade e o Portinho, havia o calhau e uma rampinha onde, com os meus irmãos e amigos, começámos a ir para o mar. Agarrávamos num bocado de madeira e  fazíamos as chamadas “carreirinhas” que consistia em agarrar a espuma da onda e surfar. Quando aparecem os primeiros estrangeiros surfistas no Jardim do Mar, começámos a interagir, eles ensinaram-nos e foi assim que fomos desenvolvendo. Eles traziam pranchas de surf adequadas e desenvolvidas – o material de surf em Portugal quase não existia, e foi assim que aprendi, eu e outros como o Belmiro Mendes e o Adriano Longueira, a surfar. Depois, vieram uns surfistas portugueses e uma revista portuguesa ligada ao surf que nos deixaram, a nós, ao grupinho de miúdos do Jardim do Mar que gostava de surfar, uma prancha de surf. Partilhávamos a prancha, desenvolvemos e nunca mais parámos. Tribuna da Madeira (T.M.) – O Surf no Jardim do Mar, que fica conhecido internacionalmente como o “Hawai” da Europa e que mais tarde é uma memória reavivada pela negativa, dada a construção da muralha na frente mar da freguesia e que um grupo de surfistas contestou e denunciou ao mundo. Como é que tudo isto aconteceu e qual o panorama do Surf na Madeira, na atualidade? Orlando Pereira (O.P.)- O Surf na Madeira tem tido uma evolução enorme ao longo dos últimos anos, desde que o primeiro surfista internacional veio à Madeira, há trinta e tal anos. Eu era ainda bebé mas os meus pais contam que esse surfista, um francês que ficou hospedado numa casa no Jardim do Mar, surfava as ondas do Jardim do Mar e quando foi para a Europa, revelou as ondas maravilhosas que descobrira na Madeira. Foi assim que se começou a falar do Surf na Madeira ao nível internacional. Uns anos mais tarde, tinha eu por volta de 12 anos, vieram uns americanos que fizeram uma reportagem para uma revista de surf das mais conceituadas do Surf mundial, e assim se deu o boom boom no surf madeirense. Vieram os surfistas americanos, depois australianos, e outras nacionalidades. Com os surfistas, o Jardim do Mar começou a desenvolver-se ao nível de negócios locais. As pessoas começaram a perceber que o Surf era uma mais-valia porque os surfistas precisavam de comer e de dormir nesses dias em que ficavam no Jardim do Mar. Assim começaram a surgir as casas para alugar e os bares, em suma, começou a gerar-se uma atividade económica à volta da modalidade e uma parte comercial que começou a intensificar-se a partir daí. Realizaram-se, no Jardim do Mar, dois provas do campeonato mundial de surf e outras provas nacionais, antes da polémica surgir, em 2000, com o documentário “Lost Jewel of the Atlantic” feito por uns surfistas e que denegriu a imagem do surf no Jardim do Mar. O documentário denunciava a construção da muralha na orla do Jardim do Mar, a qual ponha em causa a onda perfeita que ali se formava. O Jardim do Mar sempre foi o palco de grandes provas mundiais na Madeira mas a construção da muralha, afetou esta imagem. É certo que o surf no Jardim do Mar estagnou mas mais recentemente, com a partilha de imagens de surf no Jardim do Mar e em outros locais da Madeira, as imagens correram mundo e deu para perceber que afinal, o surf madeirense não morreu. Os surfistas internacionais continuam a vir à Madeira. Atualmente, são mais os europeus, como […]

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