Teatro solidário assinala os 20 anos da “ACREDITAR”
O espetáculo de teatro “A Herança de Faustino Miséria” sobe ao palco, no próximo domingo, dia 22 de fevereiro, pelas 18 horas, no Teatro Municipal Baltasar Dias. Este trabalho tem por lema «A REPRESENTAR, AJUDAMOS A ACREDITAR», e insere-se no programa comemorativo do 20º aniversário da “ACREDITAR – Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro”, instituição para a qual reverterá a totalidade das receitas. «A Herança de Faustino Miséria» é uma produção teatral fruto de intensas recolhas levadas a cabo pelo autor em remotas localidades do interior da ilha da Madeira, com mais relevância na freguesia nortenha de Boaventura. Em sítios como a Falca ou a Fajã do Penedo, onde antigos costumes e as mais diversas manifestações culturais se mantêm quase incólumes e onde o património oral de um passado, que a muitos parecerá remoto, prevalece no modo quotidiano de comunicar das suas gentes. O objetivo de levar a cena este trabalho foi desde logo o de dar a conhecer ao público os ainda prevalecentes traços culturais que caraterizaram o passado do nosso povo e a riqueza de uma oralidade em extinção, caraterizada por um português arcaico – mercê do grande isolamento que a condição ilhoa impôs – pejado de regionalismos determinados pelas várias influências que se verificaram ao longo de séculos e que foram ganhando lugar no léxico ilhéu. O formato comédia foi considerado o meio mais descontraído e adequado de transmitir a mensagem tendo sido, por isso, uma opção assumida logo à partida. Daí que haja neste trabalho um inclemente caricaturar dos personagens que dão corpo à ação, dando espaço ao exagero, explorando o inaudito, ridicularizando virtudes e defeitos e procurando surpreender o espetador a cada momento. Sinopse Algures na Fajã do Lombo, uma aldeia imaginária cravada nas entranhas das serranias madeirenses, a “Venda de Maria Luzinha”, mais do que um estabelecimento comercial, é o ponto de encontro da comunidade e a porta de comunicação com o mundo, pois é nesta mercearia que existe o único telefone do sítio, e é onde chega e de onde parte o correio. É também na venda que se sabem das novidades e onde se urdem as mais refinadas bilhardices. Em “A Herança de Faustino Miséria”, desde a Venda de Maria Luzinha, difunde-se por todo o sítio a notícia de uma herança que supostamente beneficia um dos seus habitantes, o que veio aguçar a cobiça generalizada dos habitantes da Fajã do Lombo, num ingénuo menosprezo à inteligência de um simples mas astuto homem do campo. Como reagirá Faustino Miséria às investidas e intenções duvidosas dos seus interesseiros vizinhos? (Óscar Fernandes)