"Justiça precisa de respostas, não de discursos", diz Sindicato dos Oficiais de Justiça
No dia em que é assinalada a abertura do ano judicial, o Sindicato dos Oficiais de Justiça defendeu em comunicado que "a cerimónia de abertura do ano judicial, para que possa representar um momento de esperança, numa mudança que é necessária, deve afastar os discursos inflamados do passado ou, pior ainda, obscenamente desligados da realidade." "Discursos a que se habituaram as pessoas, pois variam na forma, mas não no conteúdo e que não podem ser 'um fim em si mesmos'. Os cidadãos exigem mais. A Justiça precisa de respostas, não de discursos. O diagnóstico está feito e é consensual entre todos os operadores judiciários e até poder político: faltam meios e condições, nomeadamente nas secretarias judiciais, para que a justiça possa ser realizada." Conforme defende o mesmo organismo sindical, "sem que existam condições, um Ferrari, perante o olhar de todos e com a sua aceitação, perde qualquer corrida contra um burro", sendo que "a falta de condições, que todos reconhecem, mas que permitem se perpetue, potencia a prescrição de milhares de processos sem que se responsabilizem os verdadeiros culpados". "Será que ninguém é beneficiado com essas prescrições?", questiona a mesma fonte. O Sindicato entende, por isso, que "é tempo de apresentar ao país, na abertura do ano judicial e com sentido de responsabilidade, um plano de ação para a Justiça", pois "os cidadãos precisam de conhecer as condições e meios alocados, os objetivos definidos e metas estabelecidas para este ano de 2022". "Compete, nomeadamente ao Governo, no uso da palavra, e se pretende uma mudança de paradigma, apresentar, caso ele exista, esse plano de ação para a Justiça, ainda que de forma sucinta." "A não ser assim, 'tudo como dantes, quartel-general em Abrantes'", ou seja, "a justiça continuará a definhar, a não se realizar, servindo interesses e poderes contrários à República."