2021-08-18 17:30:00 Jornal de Madeira

Afeganistão: Holandeses perdem avião em Cabul por culpa dos militares dos EUA

Cidadãos holandeses que deveriam ter saído de Cabul na terça-feira à noite, num voo fretado, foram impedidos de chegar a tempo ao avião devido à atuação dos militares norte-americanos, disse hoje o governo dos Países Baixos. Os militares norte-americanos apenas autorizaram que o avião permanecesse na pista na capital afegã durante 30 minutos, antes de pedirem à tripulação para descolar, sem qualquer holandês a bordo, disse a ministra dos Negócios Estrangeiros holandesa, Sigrid Kaag. Cerca de 40 pessoas puderam embarcar no avião, todas de nacionalidade não afegã, disse a ministra, citada pela agência noticiosa holandesa ANP. "Muitas pessoas estavam lá com as suas famílias, com os seus filhos. Eles estavam lá à entrada do aeroporto. É terrível", comentou Sigrid Kaag, segundo a agência France-Presse (AFP). A ANP acrescentou que Sigrid Kaag deveria manter conversações com as autoridades norte-americanas para evitar uma repetição da situação e que pretendia discutir o assunto ainda hoje com o seu homólogo alemão, Heiko Maas. Um cidadão holandês de origem afegã contou à televisão pública holandesa NOS como não conseguiu chegar à porta de embarque, que estava "guardada pelos norte-americanos". "Mostrei o meu passaporte e disse que era holandês. Havia muito barulho, não conseguia ouvir muito bem o americano", disse. "Depois de eu dizer três vezes que era holandês, ele disse-me para manter a distância ou disparava. Decidi ir-me embora. Não queria correr o risco de levar um tiro", contou, segundo a AFP. A ministra Sigrid Kaag disse à NOS pretender que os norte-americanos “deem mais tempo” para proceder ao embarque dos passageiros. "Continuamos, num contexto europeu, a trabalhar para uma melhor coordenação", disse hoje Sigrid Kaag na rede social Twitter. Os Países Baixos retiraram hoje os seus primeiros nacionais de Cabul, num avião que seguiu para Tbilissi, na Geórgia. A bordo, estavam 35 holandeses, 16 belgas, dois alemães e dois britânicos, confirmou o ministro da Defesa holandês, Ank Bijleveld. Vários países estão a tentar retirar os seus cidadãos e colaboradores afegãos de Cabul, na sequência da tomada de poder pelos rebeldes talibãs no domingo. O grupo radical conquistou o poder após uma ofensiva iniciada em maio, quando começou a retirada das forças militares dos Estados Unidos e da NATO. As forças internacionais estavam no país desde 2001, no âmbito da ofensiva liderada pelos EUA contra o regime extremista (1996-2001), que acolhia o líder da Al-Qaida, Osama bin Laden, principal responsável pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. A tomada do poder pelos talibãs põe fim a 20 anos de presença militar dos Estados Unidos e dos seus aliados na NATO, incluindo Portugal. Face à brutalidade e interpretação radical do Islão que marcou o anterior regime, os talibãs têm assegurado aos afegãos que a “vida, propriedade e honra” vão ser respeitadas e que as mulheres poderão estudar e trabalhar.

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