2021-02-02 13:46:00 Jornal de Madeira

Morte no SEF: “Só quando fui chamado à PJ soube da morte” do ucraniano

Luís Silva, inspetor no SEF e o primeiro a prestar depoimento no julgamento da morte de Ihor Homeniuk, afirmou que “os factos não correspondem ao que aconteceu”. Segundo o responsável, este só soube da morte do cidadão ucraniano no aeroporto de Lisboa quando foi chamado à Polícia Judiciária. “No dia 30 [de março], o meu chefe ligou a dizer que tinha de ir à Polícia Judiciária e só fui confrontado nessa altura com o que aconteceu”, disse. Nas palavras do inspetor, este restava serviço na segunda linha do aeroporto, no horário das 6h00 às 13h00, e que, por volta das 8 horas, ouviu uma comunicação “a solicitar contacto para uma equipa, com a finalidade de algemar um cidadão que estava a ter comportamento violento e autodestrutivo”. “Fomos os três ao Centro de Instalação. Quando entrámos – aquilo fica a 15 minutos a pé – os seguranças abriram a porta e alertaram que o cidadão era violento e tinha tentado fugir durante a noite; que já lhes tinha atirado um sofá, gostava de morder e que tinha dado problemas toda a noite e que o segurança teve de estar em cima dele toda a noite”, acrescentou, afirmando ainda que “foi preciso segurá-lo pelos braços” para colocar as algemas. “Quando acabámos de prender o passageiro, deixámo-lo em posição lateral de segurança, em cima de um colchão. Chamei os seguranças para eles verem como o tínhamos deixado. Ficou com as minhas algemas, porque não havia mais e o segurança ficou com as chaves e a indicação de as tirar quando ele acalmasse”, prosseguiu. Segundo o arguido, todo o processo demorou meia hora. À pergunta do juiz sobre se Luís Silva tinha agredido o cidadão, este respondeu que não.  “Não. Nunca houve necessidade. Só me consigo recordar que tinha uma marca grande na testa e estava extremamente exaltado”, disse.

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