Pandemia evidenciou necessidade de reforçar serviços 'online' das bibliotecas
A atual situação de pandemia veio revelar a necessidade de apostar mais nos serviços ‘online’ das bibliotecas públicas, no reforço de meios humanos e tecnológicos e fortalecimento das competências digitais, segundo um inquérito da direção-geral de bibliotecas. A Direção de Serviços de Bibliotecas (DSB) da Direção Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB) realizou dois inquéritos sobre o funcionamento dos serviços e a perceção dos desafios no contexto de pandemia de covid-19 junto das bibliotecas públicas da rede nacional, o primeiro em julho e o segundo em novembro. O objetivo era “identificar situações tipo que permitissem mostrar o panorama geral no atual contexto e a sua evolução”, de acordo com informação disponível na página da DGLAB. “Verifica-se, com apreço e reconhecimento, que na globalidade se multiplicaram as iniciativas das bibliotecas públicas no âmbito da sua reinvenção face às restrições impostas pela pandemia”, conclui o segundo inquérito, que compara com o primeiro. As principais fragilidades já estavam identificadas, mas a pandemia veio evidenciá-las: os baixos níveis de serviços online e a necessidade de fortalecer as competências digitais dos recursos humanos. Por isso, é defendida a “necessidade de efetuar investimentos em tecnologias e em recursos humanos qualificados”. Deste modo, seria mais fácil para as bibliotecas captarem e cativarem novos públicos, "um fator importante em contexto de limitações e incerteza quanto a um regresso à rotina de públicos e espaços". “É essencial que as bibliotecas estejam atentas aos segmentos da população que não podem frequentar fisicamente as bibliotecas ou que, podendo beneficiar dos seus serviços, ainda não o fazem, por desconhecimento ou preconceitos sobre este serviço público e gratuito. Assim, populações isoladas, com dificuldade de mobilidade, em situação de exclusão ou com necessidade especiais, devem constituir públicos prioritários para as bibliotecas”, sublinha o relatório. O documento salienta ainda que o encerramento, ou a limitação ou suspensão, destes serviços “impede o cumprimento de uma das principais missões das bibliotecas públicas, sobretudo em momentos como este em que a comunidade se encontra mais vulnerável e mais necessita de instituições de proximidade capazes de assegurar e facilitar a todos o acesso à informação e ao conhecimento”. Quando comparados os resultados dos inquéritos, verifica-se que, em julho, a maioria das bibliotecas (mais de 93%) encontrava-se aberta ao público, mas o acesso aos espaços estava fortemente condicionado, e tal só era possível com agendamento prévio, em 16% dos casos. O relatório de novembro mostrava que 98% continuavam em funcionamento e a disponibilizar recursos e serviços aos utilizadores, das quais 10% funcionavam à porta de entrada, ou seja, os seus espaços encontravam-se fechados aos utilizadores. Quanto às necessidades prioritárias dos utilizadores, em julho, 67% das bibliotecas inquiridas identificaram a possibilidade de permanência e utilização dos espaços (como salas de leitura e zona de periódicos), logo seguida da realização de atividades culturais e de animação (exposições, palestras, encontros com escritores, clubes de leitura), com 62% de respostas, e o livre acesso às coleções, com 59% de respostas. O relatório de novembro dava conta de que, mesmo com as restrições impostas pela Direção-Geral da Saúde (DGS), que obrigam a diferentes níveis de acesso aos espaços e serviços, 85% das 171 bibliotecas em funcionamento referiam “ser permitido o acesso e permanência nos espaços, seja para consulta, estudo ou utilização dos equipamentos informáticos e acesso à Internet”. Em 10% das bibliotecas, o acesso era permitido através de agendamento, enquanto em 36%, era permitido o livre acesso às estantes. A alternativa de empréstimo domiciliário em 'take-away' estava presente em mais de 37% das bibliotecas. Ainda de acordo com o documento, os serviços com maior procura eram, em primeiro lugar, o empréstimo de documentos (97%), seguido do acesso à Internet (86%) e da consulta local (79%). Os serviços de apoio às bibliotecas escolares apresentavam uma taxa de 70%.