África do Sul acolhe encontro continental sobre Energia
A África do Sul acolhe na próxima semana um encontro energético continental na Cidade do Cabo que visa discutir desde a exploração de petróleo e gás, ao hidrogénio e energias renováveis, disse hoje à Lusa um porta-voz governamental. O ministro dos Recursos Minerais e Energia da África do Sul, Gwede Mantashe, abrirá oficialmente a conferência anual, denominada “Semana Africana da Energia”, na terça-feira, 17 de outubro de 2023, no Centro Internacional de Convenções da Cidade do Cabo, explicou. O Ministério dos Recursos Minerais e Energia sul-africano classifica o evento como “o maior e mais impactante encontro energético do continente”, antecipando a participação de mais de 4.000 delegados, entre funcionários governamentais juntamente com empresas de energia continentais e internacionais. Em foco, estará ainda a relevância da próxima Conferência das Partes da ONU sobre mudanças climáticas, conhecida por ‘COP28’, nos Emirados Árabes Unidos, no avanço da transição energética global, e em particular nos países africanos. Nesse sentido, o Governo sul-africano aponta a garantia da segurança energética, a redução da pobreza e a industrialização como “desafios únicos” enfrentados pelas nações africanas. No evento, a África do Sul pretende debater “a disponibilidade de energia, o futuro do carvão na economia verde e potencial desenvolvimento do gás como combustível de transição”, segundo o Ministério dos Recursos Minerais e Energia sul-africano. A Agência do Petróleo da África do Sul (PASA) estima que a África do Sul detém 27 mil milhões de barris e 60 triliões de pés cúbicos (TCF, na sigla em inglês) de potenciais recursos de petróleo e gás no sul, e na costa leste e oeste do país africano. O Governo do Congresso Nacional Africano (ANC), no poder desde 1994 na África do Sul, acredita que "estes recursos devem ser explorados", tendo anunciado na semana passada a intenção de licenciar as atividades de prospeção ‘off-shore’ na costa sudoeste do país à francesa TotalEnergies, a que se opõem organizações ambientais locais há anos. A África do Sul enfrenta uma crise energética sem precedentes porque a estatal sul-africana Eskom, que é também a maior companhia elétrica de África, está endividada, mantém cortes drásticos, e incapaz de produzir energia suficiente para o país, em resultado de anos de má gestão e de corrupção. Este sistema de cortes de eletricidade por várias horas, que afeta consumidores domésticos e empresas, está a ser aplicado há 15 anos. Cerca de 80% da eletricidade produzida neste país vizinho de Moçambique depende do carvão, o que resulta em níveis de poluição graves, que os ambientalistas têm denunciado. O Presidente da República Cyril Ramaphosa anunciou em julho do ano passado que a produção de energia será aberta ao setor privado, nomeadamente afeto ao BEE (Black Economic Empowerment), política pública de emponderamento económico de pessoas negras. O país, que obteve 7,7 mil milhões de euros para a transição energética por altura da Conferência das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, COP26, em novembro de 2021, assinou nesse mês os primeiros acordos para a produção de energia eólica.