2023-09-21 17:39:00 Jornal de Madeira

UE não enviará "missão de pleno direito" de observadores eleitorais para o Bangladesh

A União Europeia (UE) anunciou hoje que, por razões orçamentais e face às dúvidas sobre o processo eleitoral, vai enviar uma “equipa incompleta de observadores eleitorais” para o Bangladesh, previstas para janeiro de 2024. Ao tomar conhecimento da decisão de Bruxelas, a oposição declarou também hoje que, desta forma, estão abertas as portas para que as eleições gerais no Bangladesh “não sejam livres e justas”. O Bangladesh tem previsto realizar eleições gerais no início de janeiro e vários governos ocidentais manifestaram preocupação com o clima político repressivo com que o partido Awami League, de Sheikh Hasina, tem vindo a liderar desde 2009 o oitavo país mais populoso do mundo. A oposição neste país do sul da Ásia tem organizado uma série de manifestações exigindo a demissão da primeira-ministra, Sheikh Hasina, e apelou a um governo interino neutro para organizar a votação. O embaixador da UE em Daca, Charles Whiteley, afirmou que os 27 não enviariam uma missão de observação "de pleno direito", de acordo com uma cópia de uma carta enviada quarta-feira ao comissário eleitoral do Bangladesh e consultada hoje pela agência noticiosa France-Presse (AFP). Whiteley afirmou que, embora a UE tenha tido em conta as restrições orçamentais, a decisão reflete também o facto de, “neste momento, não ser suficientemente claro se as condições necessárias [para a realização de eleições livres, justas e transparentes] serão cumpridas", sem dar mais pormenores. A UE está a "explorar outras opções para apoiar o processo eleitoral", acrescentou. O secretário da Comissão Eleitoral do Bangladesh, Jahangir Alam, disse hoje à AFP que a decisão da UE se devia a "razões orçamentais". O Partido Nacionalista do Bangladesh (BNP, na sigla inglesa), principal partido da oposição, congratulou-se com a informação, defendendo que a decisão da UE demonstra que "não existe um ambiente propício à realização de eleições" no país. "Não haverá eleições no Bangladesh sem um governo neutro", declarou aos jornalistas o porta-voz do BNP, Amir Khasru Mahmud Chowdhury. A UE é o principal parceiro comercial do Bangladesh, país que é um dos principais fabricantes mundiais de vestuário e que mais de metade das suas exportações de mercadorias, no valor de 55.000 milhões de dólares (cerca de 51.600 milhões de euros), têm como destino a UE.

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