Preço do petróleo subiu 30% desde junho e pode superar 100 dólares a curto prazo
O preço do petróleo subiu 30% desde junho para cerca de 96 dólares por barril e analistas antecipam que o mesmo pode aumentar para mais de 100 dólares antes do final do ano, embora sem prever por quanto tempo. Analistas citados pela Efe concordam que a redução da produção anunciada pelos dois maiores produtores de petróleo da OPEP+, a Arábia Saudita e a Rússia, até dezembro, é o principal fator subjacente à atual subida dos preços. A isto junta-se a procura positiva de petróleo na Ásia e as previsões de que o consumo deverá voltar a aumentar. Francisco Blanch, diretor mundial de produtos de base e derivados do Bank of America, explica que, após a crise energética do ano passado, a Ásia está de novo a liderar o crescimento da procura mundial de energia, apesar das preocupações com as perspetivas económicas da China. Segundo o especialista, a China continua a acumular inventários de petróleo há meses para fazer face à sua crescente dependência das importações, enquanto as refinarias do país têm funcionado "a plena capacidade", tendo levado as importações de crude para um nível quase recorde de 12,4 milhões de barris por dia em agosto. Neste contexto, adverte que, se a OPEP+ mantiver os atuais cortes na oferta até ao final do ano, num contexto de procura positiva na Ásia, o Brent poderá ultrapassar os 100 dólares antes de 2024. Da mesma forma, o economista-chefe da Ostrum AM (Natixis IM), Philippe Waechter, afirma que, até agora, este ano, a procura de crude ultrapassa os 100 milhões de barris por dia, o que significa que a produção está no limite para a satisfazer. "Os países da OPEP, em geral, estão a aumentar a produção, mas a Arábia Saudita está a fazer o movimento contrário, criando tensões no mercado", acrescenta o economista, para quem o Brent poderá aproximar-se rapidamente dos 100 dólares por barril. Em declarações à Efe, o diretor de investimentos da ATL Capital, Ignacio Cantos, não exclui a possibilidade de o Brent chegar aos 100 dólares, embora diga que, se houver um abrandamento económico, a procura de crude por parte do Ocidente será reduzida e que, "se os preços se mantiverem nestes níveis", a Arábia Saudita e a Rússia provavelmente "abrirão as torneiras" e voltarão a produzir antes dos cortes, aumentando em dois milhões de barris por dia. A subida dos preços do crude nos últimos meses suscitou receios quanto ao impacto que terá na melhoria da inflação e às consequências que poderá ter nas políticas monetárias dos bancos centrais. O mercado receia que, neste contexto, os bancos centrais possam ter de aumentar ainda mais as taxas ou mantê-las mais elevadas do que o previsto, o que, por sua vez, poderá ter um impacto ainda maior na economia. Joaquín Robles, analista da XTB, prevê que a volatilidade se mantenha no mercado energético e que o Brent possa atingir ou mesmo ultrapassar os 100 dólares, o que gerará mais pressões inflacionistas e obrigará os bancos centrais a mudarem o seu discurso ou mesmo "serem obrigados" a subir as taxas de juro. "Talvez o final do ano seja marcado pela força dessas pressões inflacionistas e pela necessidade de atuação dos bancos centrais. Pensamos que os preços do petróleo vão manter-se altos", mas caso subam acima dos 100 dólares será uma subida momentânea, e talvez estabilizem, acrescenta. O Brent, o petróleo de referência na Europa, está a subir há três semanas consecutivas e, embora esteja hoje em baixa (93,50 dólares), na véspera atingiu 95,96 dólares, um novo máximo desde novembro, segundo dados da Bloomberg. O preço do petróleo West Texas Intermediate (WTI), a referência norte-americana, também recuou para 90 dólares, à espera da decisão da Reserva Federal dos Estados Unidos sobre as taxas de juro, que será anunciada hoje.