Mais de duas mil pessoas detidas por protestos violentamente reprimidos no Chade
Mais de duas mil pessoas foram detidas em protestos violentamente reprimidos no Chade, que deixaram dezenas de mortos em todo o país em 20 de outubro, de acordo com a Organização Mundial contra a Tortura (OMCT). Cerca de 1.000 pessoas foram presas e detidas em vários locais na capital, N'Djamena, afirmou Isidore Collins Ngueuleu Djeuga, conselheiro sénior da OMCT para os direitos humanos em África. A organização não-governamental (ONG) estima que 1.100 outros foram detidos na prisão de Moussoro, a 300 quilómetros de N'Djamena, e na prisão de alta segurança de Koro Toro, no meio do deserto. Segundo a OMCT, alguns representantes das autoridades judiciais deverão visitar Koro Toro esta semana para os notificar das acusações. A ONG pede que todos os detidos sejam libertados ou, pelo menos, submetidos a julgamentos justos, e que seja garantida a segurança dos advogados enquanto atravessam o deserto. Os protestos deixaram "cerca de 50" mortos e "mais de 300" feridos, segundo o primeiro-ministro, Saleh Kebzabo, ao qual a organização Human Rights Watch já pediu uma “investigação efetiva e independente" dos acontecimentos. Os manifestantes protestavam contra o recente prolongamento do período de transição política e a continuação do domínio de Mahamat Idriss Déby Itno. Desde então, foi decretado um recolher obrigatório em várias cidades. A agitação no Chade não tem precedentes, nem durante o anterior regime do pai de Deby, que governou mais de três décadas até à sua morte no ano passado. Dois ativistas chadianos, representando as duas principais organizações de direitos humanos do país, apelaram a uma maior mobilização da comunidade internacional, enquanto que em Genebra, esta semana, participaram numa reunião do Comité das Nações Unidas contra a Tortura no Chade. "Durante o recolher obrigatório, eles vão a casa das pessoas e prendem-nas. Isto continua. As pessoas são levadas para fora durante a noite. São levados para Koro Toro, o 'Guantanamo chadiano'", disse Mahamat Boukar Adoum, presidente interino da Liga Chadiana para os Direitos Humanos (LTDH). "As pessoas estão sem contacto com as suas famílias, os seus advogados. Não existe uma lista (oficial) das pessoas detidas. É uma confusão total", acrescentou. Agnès Ildjima Lokiam, presidente da Associação Chadiana para a Promoção e Defesa dos Direitos Humanos (ATPDH), apelou a sanções internacionais contra os responsáveis. "Exigimos uma investigação independente, imparcial e internacional", afirmou, indicando que "os líderes dos partidos e associações políticas se esconderam" porque temem pelas suas vidas. A OMCT acredita que a repressão das manifestações tem sido "demasiada", e receia que "algo muito violento venha a acontecer" no país, disse Isidore Collins Ngueuleu Djeuga.