Trabalhadores em greve paralisam terminais marítimos da África do Sul
Pelo menos 40 mil trabalhadores portuários na África do Sul mantiveram hoje pelo sexto dia consecutivo uma greve nacional para reivindicarem um aumento salarial de 13,5% na estatal Transnet, que gere os portos e caminhos-de-ferro do país. A greve nacional dos trabalhadores da empresa pública sul-africana paralisou parcialmente desde sexta-feira passada os principais portos marítimos da África do Sul, um dos maiores produtores mundiais de minério de ferro. O Partido Comunista da África do Sul (SACP), parceiro na coligação governativa juntamente com a confederação sindical COSATU e o partido no poder, o Congresso Nacional Africano (ANC), anunciou hoje a sua adesão à greve juntamente com a Federação dos Sindicatos da África do Sul (Fedusa). Os sindicatos em greve, o Sindicato Nacional Unido de Transportes (Untu) e o Sindicato Sul-Africano dos Trabalhadores dos Transportes e Seus Aliados (Satawu), anunciaram hoje que os trabalhadores rejeitaram uma nova proposta de aumento salarial de entre 4% e 5%. “Essas autoridades não devem usar os seus próprios problemas de corrupção nos últimos 10 anos e a crise da economia como uma desculpa conveniente para não dar aos trabalhadores 13% de aumento”, referiu à imprensa local o dirigente comunista no Cabo Ocidental Benson Ngqentsu. Os sindicatos reivindicam um aumento salarial acima da inflação superior a 7,6%. Na quarta-feira, o governo sul-africano anunciou em definitivo um aumento salarial para funcionários públicos de 7,5%, mas dividido em duas partes: um pagamento mensal de 4,5% que não conta para a reforma na ordem de 8,000 rands (451,18 euros), e depois um aumento salarial previdenciário de 3% para todos os trabalhadores. Em agosto, a agência nacional de estatística sul-africana, StatsSA, informou que a inflação anual dos preços ao consumidor atingiu um novo pico de 13 anos, passando de 7,4% em junho para 7,8% em julho. A mineradora Kumba Iron Ore, mineradora do grupo Anglo Americann e que é um dos maiores produtores mundiais da indústria siderúrgica global, advertiu na segunda-feira que a produção para exportação será afetada em cerca de 120.000 toneladas por dia, segundo um comunicado da empresa a que a Lusa teve acesso. A Kumba produz minério de ferro na África do Sul nas minas Sishen e Kolomela na província de Cabo Setentrional, exportando para vários países da Europa e Médio Oriente, China, Japão e Coreia do Sul. A Thungela Resources, maior exportadora de carvão térmico da África do Sul, disse que uma greve prolongada de duas semanas reduziria em pelo menos 300.000 toneladas a sua produção para exportação, segundo a imprensa sul-africana. A greve da Transnet coloca também em “risco” a indústria de alimentos e bebidas da África do Sul, segundo a Câmara de Negócios Agrícola da África do Sul. Por seu lado, a Associação de Produtores de Citrinos da África Austral estimou que a greve poderá afetar a exportação de mais de 185.000 toneladas de fruta destinada a vários mercados internacionais. Mais de 60% da exportação de citrinos da África do Sul é feita através do porto de Durban, sudeste do país, segundo a organização sul-africana.