2022-09-30 17:23:00 Jornal de Madeira

Oposição grega acusa Governo de “encobrir” escândalo das escutas

O deputado europeu Nikos Androulakis, cujo telefone foi colocado sob escuta pelos serviços de informações grego, denunciou hoje um inquérito que considera destinado a “encobrir” um escândalo que atinge o Governo conservador de Kyriakos Mitsotakis. “Estou desapontado pela facto de a vossa comissão [parlamentar] ter feito muito pouco para descobrir a verdade e muito mais para a encobrir”, lamentou Nikos Androulakis, líder do Pasok-Kinal (Movimento socialista pan-helénico, sociais-democratas), no decurso da sua audição perante a comissão de inquérito parlamentar especial e que foi designada após as revelações do já designado “Watergate grego”. “Em vez de aproveitarem a ocasião e de protegerem a nossa democracia, permitiram que os responsáveis deste caso mórbido permaneçam imunes e sem controlo”, disse Androulakis, dirigindo-se aos eleitos da maioria de direita que integram a comissão, indicaram fontes do seu partido citadas pela agência noticiosa AFP. O líder social-democrata também lamentou a ausência de “transparência” e um “inquérito aprofundado” por parte desta comissão, que designadamente não questionou o primeiro-ministro de Kyriakos Mitsotakis, de quem dependem diretamente os serviços de informações EYP. O responsável político também manifestou a “vergonha” de ter sido considerado “um perigo nacional” quando estava a ser vigiado. Nikos Androulakis revelou em julho que o seu telefone portátil foi alvo do programa de espionagem Predator, e que implicou duas importantes demissões no círculo próximo de Mitsotakis. O chefe do Governo reconheceu que o deputado europeu estava a ser vigiado pelo EYP mas negou a “utilização ou compra” do programa Predator, de origem israelita, pelo Estado grego. Este caso, que está a provocar um forte incómodo ao Governo da direita grega, junta-se às acusações dois jornalistas, que afirmam terem também sido vigiados pelo EYP. Em Bruxelas, uma comissão de inquérito do Parlamento europeu criada após denúncias de vigilância como características semelhantes e dirigidas a responsáveis europeus, indicou que vai analisar em breve este caso.

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