2022-08-12 18:32:00 Jornal de Madeira

Ucrânia: Tribunal de Donetsk vai julgar cinco alegados mercenários estrangeiros

 A autoproclamada República popular de Donetsk (DNR), leste da Ucrânia, anunciou hoje que vai julgar cinco alegados mercenários estrangeiros (três britânicos, um sueco e um croata), que poderão ser condenados à morte. “O julgamento vai decorrer na segunda-feira, 15 de agosto, e decorrerá à porta-fechada”, afirmou um porta-voz do Supremo tribunal à agência noticiosa russa Interfax. Os cinco estrangeiros são acusados, entre outros crimes, de participação em combate na qualidade de mercenários e de cometerem ações destinadas a tomar o poder e reverter a ordem constitucional. As autoridades russófonas locais já apresentaram no início de julho diversas atas de acusação dirigidas a dois dos britânicos, Dylan Healey e Andrew Hill, por lutarem nas fileiras do exército ucraniano. Enquanto Hill, veterano da guerra do Afeganistão, se filiou na Legião Estrangeira, Healey é um voluntário envolvido em atividades humanitárias na Ucrânia, segundo garantiu a organização britânica Presidium Nework. Há pouco mais de um mês, o Conselho Popular e Legislativo dos separatistas de Donetsk, região do Donbas, repôs a aplicação da pena de morte após anular a moratória em vigor. “A possibilidade de aplicação deste medida excecional, a pena de morte, servirá como um fator de contenção à comissão de crimes especialmente graves, em particular, crimes contra a humanidade”, informou o Conselho Legislativo. Em junho, o Supremo tribunal de Donetk já condenou à morte os prisioneiros britânicos Shau Pinner e Aiden Aslin, e o marroquino Braguim Saadun, acusados de serem mercenários ao serviço do exército ucraniano. A pena capital não pode ser aplicada contra os detidos pelo facto de os advogados de defesa terem recorrido da sentença. Segundo as autoridades russófonas de Donetsk, o cidadão britânico Paul Urey, capturado em abril, morrer numa prisão devido “a diversas doenças crónicas”. Esta semana o ministério da Defesa russo informou que 21 mercenários norte-americanos, 99 polacos e 36 canadianos, entre outros, já foram mortos desde o início da campanha militar na Ucrânia. A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 12 milhões de pessoas de suas casas – mais de seis milhões de deslocados internos e mais de seis milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Também segundo as Nações Unidas, cerca de 16 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia. A invasão russa – justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que está a responder com o envio de armamento para a Ucrânia e a imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca à energia e ao desporto. A ONU confirmou que 5.401 civis morreram e 7.466 ficaram feridos na guerra, que hoje entrou no seu 170.º dia, sublinhando que os números reais serão muito superiores e só poderão conhecidos quando houver acesso a zonas cercadas ou sob intensos combates.

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