Vice-presidente do Senado italiano em greve de fome antes do referendo sobre justiça
O vice-presidente do Senado italiano, membro do partido de extrema-direita Liga, Roberto Calderoli, está em greve de fome há cinco dias pelo "silêncio escandaloso" que diz existir sobre um referendo ao funcionamento da Justiça e as carreiras judiciais. A consulta popular, marcada para domingo, 12 de junho, para coincidir com eleições parciais autárquicas, permitirá votar a revogação de cinco leis relativas ao sistema judicial, entre as quais a abolição da atual proibição dos condenados a mais de dois anos de prisão de exercerem cargos públicos. Calderoli anunciou hoje o envio de uma carta ao primeiro-ministro, Mario Draghi, semelhante à enviada nos últimos dias aos presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, para instar o Governo a que "tente remediar o silêncio escandaloso que tem caracterizado a campanha do referendo até agora". "Uma semana antes da votação, milhões de cidadãos nem sequer sabem que um referendo será realizado a 12 de junho", escreve Calderoli. Na sua opinião, "a falta de informação sobre o referendo altera substancialmente a dinâmica democrática, porque corre o risco de conduzir ao abstencionismo, que no caso de referendos tem um peso decisivo para a validade dos procedimentos". A complexidade do tema do referendo pode comprometer a participação de pelo menos 50% dos eleitores, necessária para que o resultado seja válido.