2022-06-02 17:57:00 Jornal de Madeira

Mali: Dois funcionários da Cruz Vermelha mortos em ataque

Dois funcionários da Cruz Vermelha foram mortos na quarta-feira no ataque ao veículo em que viajavam na região de Kayes (oeste do Mali), anunciou hoje a Cruz Vermelha do Mali em comunicado. O condutor do veículo e um delegado expatriado da Cruz Vermelha holandesa foram mortos neste ataque conduzido, segundo os primeiros testemunhos recolhidos pela Cruz Vermelha, "por homens armados" em motociclos que "abriram fogo sem aviso", lê-se na nota. A nacionalidade do condutor era maliana enquanto o delegado expatriado era natural do Senegal, segundo Nouhom Maïga, secretário-geral da Cruz Vermelha do Mali, citado pela agência France-Presse. A Cruz Vermelha disse que a equipa, que estava "em missão humanitária num veículo identificado com o símbolo da Cruz Vermelha do Mali", foi atacada na quarta-feira por volta das 18:00 locais (mesma hora em Lisboa) na estrada que liga Koussané e Kayes. "Os outros dois membros da equipa - o coordenador do projeto e o contabilista – ficaram profundamente afetados por esta tragédia", acrescenta-se no comunicado. "Não é a Cruz Vermelha em si que foi alvo", disse Maïga, falando de um provável ato de "roubo" e não de extremismo islâmico. Nos últimos anos foram registados roubos, designadamente de veículos, mas nenhuma morte, acrescentou. Os autores do ataque levaram o veículo e o equipamento que era transportado, adiantou Maïga, acrescentando que os atacantes posteriormente abandonaram o veículo, segundo informações que recebeu. A Cruz Vermelha do Mali condenou "com a maior firmeza" o ataque que "mina a missão humanitária dirigida às populações vulneráveis". O Mali, um vasto país do Sahel do qual grande parte do território escapa ao controlo do Estado, sofre não apenas com a disseminação do extremismo islâmico desde 2012, mas também com altos índices de criminalidade, principalmente nas ligações rodoviárias. A região de Kayes, na fronteira com o Senegal, é considerada relativamente mais protegida da violência do que o centro, o norte ou a chamada zona de três fronteiras com o Burkina Faso e Níger.

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