Palestiniano morre em confrontos com o Exército israelita na Cisjordânia
Um homem palestiniano foi abatido hoje em confrontos com forças israelitas à margem de uma operação no norte da Cisjordânia ocupada, num novo episódio de violência nos territórios palestinianos. Ahmad Massa foi baleado na cabeça na zona de Jenin, enquanto outros três palestinianos ficaram feridos, indicou a agência de notícias oficial palestiniana Wafa, citando fontes hospitalares. O Ministério da Saúde palestiniano disse que os outros três feridos, que também foram baleados, se encontravam estáveis. O Exército israelita, contactado pela agência France-Presse (AFP), afirmou estar a conduzir operações de “contraterrorismo” em Jenin, um reduto das fações armadas palestinianas na Cisjordânia. Num vídeo divulgado pelo Exército, pode ver-se os jovens palestinianos a atirarem pedras contra veículos militares. “Dezenas de desordeiros palestinianos atacaram violentamente soldados, abrindo fogo e atirando-lhes pedras e engenhos explosivos”, disse o Exército em comunicado. Os soldados ripostaram com disparos de armas de fogo, pode ler-se no documento, que acrescenta que 12 palestinianos foram detidos em operações em toda a Cisjordânia. A organização dos prisioneiros palestinianos, que defende os detidos por Israel, disse que 17 pessoas foram presas. Os confrontos com o Exército israelita surgem regularmente na Cisjordânia, um território palestiniano ocupado pelo Estado hebreu desde 1967, à margem de manifestações contra os colonatos israelitas ou detenções pelas forças de segurança. Desde março, as forças de segurança intensificaram as operações no norte da Cisjordânia, na sequência de uma série de ataques em Israel por palestinianos, alguns dos quais habitantes dessa zona. Hoje, durante a operação em Jenin, o Exército israelita emitiu uma ordem de demolição da casa do atacante que matou três israelitas em Telavive, em 07 de abril. As rusgas pelos soldados israelitas concentram-se em Jenin e no campo de refugiados palestinianos adjacente. Muitos combatentes de grupos islamitas radicais, como a Jihad Islâmica e o Hamas, estão ativos no local, bem como as Brigadas de Mártires de Al-Aqsa, a ala armada do partido Fatah do Presidente palestiniano, Mahmoud Abbas, que condenou os ataques em Israel. Hoje, a Jihad Islâmica saudou Ahmad Massa como um “mártir heróico”. “A ocupação [Israel] intensificou as mortes, os assassínios e a destruição contra o nosso povo. Apelamos ao nosso povo como um todo para aumentar a resistência em todas as suas formas e combater as forças de ocupação”, sublinhou a organização armada em declaração. Na aldeia de Burqin, perto de Jenin, mais de 1.000 pessoas, incluindo homens encapuzados e armados, assistiram ao funeral de Ahmad Massa, constatou um jornalista da AFP no local. Este novo incidente surge num cenário de violência que começou em finais de março em Israel e nos territórios palestinianos. Desde 22 de março, 14 pessoas morreram em ataques contra israelitas. Um total de 26 palestinianos, incluindo os atacantes, foram mortos em vários incidentes ou operações, de acordo com uma contagem da AFP. Esta nova vaga de violência surge quase um anos depois de uma guerra de 11 dias entre o Estado hebreu e o Hamas, o movimento no poder em Gaza.