2022-04-26 18:04:00 Jornal de Madeira

Moçambique/Ataques: Diretor-geral das Missões da UE satisfeito com “progressos” na formação

O diretor-geral das Missões da União Europeia (UE) manifestou-se hoje, em Maputo, satisfeito com “progressos” no trabalho da Missão de Formação Militar da UE que prepara as forças moçambicanas para fazer face ao terrorismo no Norte de Moçambique.   “O trabalho está a correr muito bem”, declarou à comunicação social Hervé Bléjean, após uma reunião com a chefe da diplomacia moçambicana, Verónica Macamo, no Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, em Maputo. A primeira missão militar da UE em Moçambique, dedicada a treinar tropas para enfrentar a insurgência armada em Cabo Delgado, arrancou em 03 de novembro, com uma previsão de duração de dois anos, em resposta a um pedido de ajuda do Governo moçambicano. No total, no âmbito do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz, o Conselho da União Europeia disponibilizou um montante total de 89 milhões de euros para formação e reforço de capacidades das tropas moçambicanas. Para o diretor das Missões da UE, o apoio, reforçado numa decisão anunciada na quinta-feira por Bruxelas, será extremamente importante para as forças moçambicanas, tendo em conta que vai garantir aspetos importantes logísticos nas suas operações, com destaque para equipamentos de proteção individual e meios para sua mobilidade. “Este apoio é para ajudar as Forças Armadas de Moçambique e baseia-se no conceito da Missão de Formação Militar da UE [EUTM] de treinar e equipar, o que faz muito sentido”, declarou Hergé Bléjean. O lançamento da Missão de Formação Militar da UE foi aprovado em outubro e, já em novembro, o organismo aprovou a assistência de cerca de 44 milhões de euros de apoio às unidades militares moçambicanas formadas pela missão. Na quinta-feira, o Conselho da União Europeia decidiu reforçar, no âmbito do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz, a assistência de 45 milhões de euros, o que totaliza 89 milhões de euros. O Mecanismo Europeu de Apoio à Paz foi criado em março de 2021 para financiar todas as ações da Política Externa e de Segurança Comum em áreas militares e de defesa, com o objetivo de prevenir conflitos, preservar a paz e reforçar a segurança e estabilidade internacionais. Hergé Bléjean esclareceu também que acompanha a situação da empresa petrolífera Total, que suspendeu as suas atividades no projeto de exploração de gás no norte de Moçambique em março, na sequência do ataque de rebeldes ao distrito de Palma. “Tenho estado em contacto com a Total e tenho mantido encontros com responsáveis da área de segurança, dentro das minhas competências como militar, para estudar as condições para o restabelecimento de todas atividades da empresa na área. Estamos a providenciar avaliações [de segurança] e orientações para quem quer investir na região. Este é o nosso limite de atuação”, declarou Hergé Bléjean. O trabalho do diretor-geral das Missões da União Europeia inclui uma visita à província de Cabo Delgado, onde vai manter encontros com as estruturas que lideram a força da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) que apoia Maputo no combate ao terrorismo no Norte. A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico. Há 784 mil deslocados internos devido ao conflito, de acordo com a Organização Internacional das Migrações (OIM), e cerca de 4.000 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED. Desde julho de 2021, uma ofensiva das tropas governamentais com o apoio do Ruanda a que se juntou depois a SADC permitiu recuperar zonas onde havia presença de rebeldes, mas a fuga destes tem provocado novos ataques noutros distritos usados como passagem ou refúgio temporário.

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