2022-04-11 17:46:00 Jornal de Madeira

Pelo menos 85 mortos em ataques de homens armados em localidades na Nigéria

Pelo menos 85 pessoas morreram e um número indeterminado foi sequestrado domingo em vários ataques de homens armados contra quatro localidades no centro da Nigéria, confirmaram hoje à agência Efe ativistas da sociedade civil.   "Até agora, pelo menos 85 mortes foram confirmadas nas cidades alvo dos ataques. As autoridades do governo regional e as forças de segurança ainda estão à procura de mais vítimas", disse Stephen Sambo, presidente do núcleo local da Associação Cristã da Nigéria (CAN, na sigla em inglês). Os atacantes, que se faziam transportar de mota, atacaram as localidades de Kukawa, Kyaram, Gyambau e Dungur - no Estado de Plateau - "disparando indiscriminadamente" e também destruíram várias casas, acrescentou a fonte. Segundo Sambo, “os habitantes abandonaram as suas casas e procuraram refúgio noutras comunidades por receio de voltaram a ser atacados”. Por sua vez, o porta-voz da polícia do Estado de Plateau, Ubah Ogaba, confirmou o ataque à Efe, mas não forneceu números de mortos nem de feridos. "Temos conhecimento dos ataques. Enviámos uma equipa para a área para restaurar a normalidade. Quanto ao número de mortos e de casas destruídas, estamos a trabalhar nisso e divulgaremos os detalhes quando os tivermos", disse Ogaba. Este tipos de ataques de "bandidos" - termo usado na Nigéria para referir os grupos criminosos que cometem aquelas ações - não são comuns no Estado de Plateau, onde são comuns os confrontos entre comunidades criadoras de gado, predominantemente cristãs, e pastores da etnia Fulani, principalmente muçulmanos, devido às diferenças sobre o uso da terra e os escassos recursos naturais disponíveis. Plateau é vizinho do Estado de Kaduna que, juntamente com outros Estados do noroeste da Nigéria, é palco de ataques desencadeados por homens armados e sequestros em massa para resgates lucrativos. A violência continua apesar das repetidas promessas do Presidente nigeriano Muhammadu Buhari de acabar com o problema e o envio de mais forças de segurança para a região. A esta insegurança no noroeste da Nigéria,soma-se a que se regista desde 2009 no nordeste pelos extremistas islâmicos Boko Haram e, desde 2016, devido à sua divisão, pelo grupo Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP, na sigla em inglês). Os dois movimentos mataram mais de 35 mil pessoas e causaram cerca de 2,7 milhões de deslocados internos, principalmente na Nigéria, mas também em países vizinhos como Camarões, Chade e Níger, segundo dados do governo e da ONU.

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