2022-02-08 14:57:00 Jornal de Madeira

Iémen: Conquista da cidade de Marib demorou um ano e deixou 100 mil deslocados

A batalha pela conquista da estratégica cidade iemenita de Marib, que durou um ano, provocou cerca de 100.000 deslocados, disse hoje a confederação de organizações humanitárias Oxfam, alertando que os combates pioraram a situação humanitária do Iémen.   Os rebeldes Huthis do Iémen, apoiados pelo Irão, lançaram uma ofensiva em fevereiro do ano passado para conquistar Marib, destruindo a província com o mesmo nome para alcançar os arredores da cidade, visando o controlo completo do norte do Iémen. No entanto, no início deste ano, as forças do Governo iemenita, apoiadas por ataques aéreos da coligação internacional liderada pela Arábia Saudita e que inclui os Emirados Árabes Unidos, conseguiram recuperar grandes áreas ao redor da cidade, incluindo o segundo maior distrito da província. “Pessoas comuns que procuravam refúgio num lugar antes descrito como um oásis de calma tornaram-se danos colaterais de um conflito prolongado”, disse o diretor da Oxfam no Iémen, Muhsin Siddiquey. Segundo a organização, pelo menos 43 ataques aéreos atingiram, em janeiro, alvos civis, incluindo casas e quintas. Minas terrestres, explosivos improvisados e bombardeamentos também atingiram civis em Marib. Só em janeiro, oito pessoas morreram devido às minas terrestres, em comparação com cinco no ano passado. Ao mesmo tempo, “várias crianças foram mortas enquanto cuidavam de animais de quinta ou recolhiam lenha. Estou particularmente preocupado com relatos de que não são mantidos registos de onde estão as minas terrestres”, disse Siddiquey. De acordo com dados nas Nações Unidas, a província de Marib já acolheu cerca de um milhão de deslocados - um quarto do total de quatro milhões – dos quais 80% são mulheres e crianças, número que as autoridades locais estimam ser o dobro. Entretanto, fontes militares do Governo e da coligação cercaram hoje a área de Harad, na província de Hajjah, um objetivo que estava a ser tentado há vários meses, já que permite a reabertura da passagem de fronteira de al-Tawal, a maior entre o Iémen e a Arábia Saudita, fechada desde 2015. O cerco resultou de três dias de combates no noroeste do Iémen, que provocaram a morte de mais de 30 militares pró-Governo e deixaram cerca de 100 feridos. Do lado dos rebeldes, terão morrido 56 combatentes, segundo um oficial militar das forças lealistas. O conflito no Iémen intensificou-se nas últimas semanas e os Emirados tornaram-se uma nova frente do conflito, alvo de ataques dos rebeldes xiitas. A guerra no Iémen – o país mais pobre do mundo árabe – começou em 2014, quando os Huthis tomaram a capital, Sanaa, e grande parte do norte do país, forçando o Governo a fugir para o sul e depois para o exílio, na Arábia Saudita. A coligação liderada pela Arábia Saudita entrou na guerra em 2015 para tentar restaurar o Governo do Iémen. Segundo a ONU, o conflito já matou 377 mil pessoas, tanto militares como civis, e causou milhões de deslocados, criando a pior crise humanitária do mundo.

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