2022-01-27 18:17:00 Jornal de Madeira

Taiwan regista recorde de pedidos de residência de cidadãos de Hong Kong em 2021

O número de cidadãos de Hong Kong que se mudaram para Taiwan atingiu um novo recorde em 2021, no meio da crescente tomada do poder pela China na antiga colónia britânica, indicam números oficiais divulgados em Taipé.   A ilha de Taiwan sempre atraiu residentes de Hong Kong que fugiam ao ritmo frenético e às rendas exorbitantes da cidade vizinha de Macau. O fluxo aumentou desde a entrada em vigor em Hong Kong da draconiana lei de segurança nacional chinesa em 2020, após as manifestações pró-democracia em 2019. De acordo com a agência de imigração de Taiwan, o número de habitantes de Hong Kong que obtiveram autorizações de residência na ilha atingiu quase 13.000 em 2021. Foram concedidas cerca de 11.173 autorizações de estada de curta duração e 1.685 de residência permanente, segundo os dados oficiais, citados pela agência de notícias France-Presse (AFP). Em 2020, os números já tinham duplicado, para 10.813 vistos de estada de curta duração. Durante o chamado “movimento guarda-chuva” (protestos pró-democracia) em Hong Kong, Taiwan emitiu 7.506 vistos de curta duração para residentes da antiga colónia britânica. Taiwan não tem leis de asilo e não aceita pedidos de refugiados por recear que muitos chineses da China continental queiram viver na ilha para fugir ao regime autoritário de Pequim. Os cidadãos de Hong Kong, no entanto, podem candidatar-se a residir em Taiwan através de outros canais, incluindo vistos de investimento. O Governo de Taiwan, da Presidente Tsai Ing-wen, apoia oficialmente o movimento pró-democracia de Hong Kong. Vários dissidentes conhecidos, incluindo o livreiro Lam Wing-kee e o artista Kacey Wong, encontraram refúgio em Taiwan nos últimos anos. Taiwan, que vive sob a ameaça constante de uma possível invasão da China, reserva-se o direito de rejeitar certos pedidos de imigração por razões de segurança e negou residência ao magnata do entretenimento Charles Heung, cuja família está ligada às autoridades chinesas. A China e Taiwan vivem como dois territórios autónomos desde 1949, quando o antigo governo nacionalista chinês se refugiou na ilha, após a derrota na guerra civil frente aos comunistas. Pequim considera Taiwan parte do seu território, e não uma entidade política soberana, e ameaça usar a força caso a ilha declare a independência. A lei de segurança nacional de Hong Kong, que entrou em vigor no dia em que foi aprovada pelo Congresso da China, em 30 de junho de 2020, é considerada como um retrocesso nos direitos cívicos dos cidadãos locais, incluindo o da liberdade de expressão. Hong Kong é uma Região Administrativa Especial da República Popular da China (RPC) desde 01 de julho de 1997, com um estatuto que lhe garantia um elevado grau de autonomia face a Pequim. O mesmo estatuto foi aplicado a Macau a partir de 20 de dezembro de 1999, quando o território até então administrado por Portugal foi integrado na China. O estatuto conferido a Hong Kong e a Macau tem por base o princípio “um país, dois sistemas”, definido na década de 1980 pelo então líder chinês, Deng Xiaoping, para proceder à reunificação da China, acomodando os sistemas socialista e capitalista na RPC.

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