Afeganistão: Tajiquistão pede criação de "cordão de segurança" em torno do território afegão
O Presidente do Tajiquistão, Emomali Rajmon, apelou hoje à criação de um "cordão de segurança" em torno do Afeganistão devido aos violentos distúrbios ocorridos no Cazaquistão e à degradação da situação fronteiriça entre os territórios tajique e afegão. "A situação na fronteira tajique-afegã piora de dia para dia. Há combates entre talibãs ao longo da fronteira, sendo que na última semana registaram-se 11 mortos e 18 feridos, numa das zonas", disse Rajmon durante uma reunião em formato virtual dos líderes da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC), aliança que integra seis antigas repúblicas soviéticas (Rússia, Bielorrússia, Arménia, Cazaquistão, Quirguistão e Tajiquistão), e que foi dedicada à situação de instabilidade política e social no território cazaque. Rajmon assinalou que no Afeganistão, em 2021, ficaram em liberdade "milhares de membros de grupos de terroristas". "Por isso, temos que criar um 'cordão de segurança' em torno do Afeganistão", insistiu. Na mesma reunião, o Presidente da Bielorrússia, Aleksander Lukashenko, apelou aos membros da OTSC para prestarem auxílio às autoridades de Dushanbe para que não se repita o mesmo que aconteceu no Cazaquistão na semana passada. "O Presidente do Tajiquistão pede há vários anos ajuda material em forma de equipamento militar. Temos de o conseguir", disse Lukashenko, alertando que pode ocorrer no Tajiquistão o mesmo que aconteceu no Cazaquistão. Neste contexto, o Presidente russo, Vladimir Putin, disse que após a reunião de hoje vai estabelecer um contacto bilateral com o seu homólogo do Tajiquistão. Por outro lado, o primeiro-ministro do Quirguistão, Akilbek Zhaparov, alertou para o perigo de movimentos de "elementos criminosos" dentro das fronteiras dos países da organização. "Segundo as informações de que dispomos, uma grande quantidade de armas de fogo caiu nas mãos de criminosos. Existe o risco de entrada de elementos criminosos envolvidos em roubos e saques (no Cazaquistão) através das nossas fronteiras", disse Zhaparov. Anteriormente, na mesma reunião, o Presidente do Cazaquistão disse que os militares russos vão abandonar o país "em breve", especificando que 2.030 militares foram destacados como parte da missão comandada por Moscovo, após o pedido de ajuda para fazer face contra o que considerou uma "tentativa de golpe de Estado". De acordo com o Presidente cazaque, forças "terroristas" organizadas, incluindo "islâmicos", "criminosos" e "bandidos" aproveitaram-se de um movimento de protesto contra o aumento dos preços dos combustíveis para tentarem derrubar o poder. "Conseguimos retomar o controlo da situação", disse o Presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokaiev. Entretanto, o Governo do Cazaquistão anunciou que cerca de oito mil pessoas foram detidas após a semana de tumultos no país. "Desde 10 de janeiro, 7.989 pessoas foram detidas", informou o Ministério do Interior cazaque em comunicado. Pelo menos 164 pessoas morreram nos protestos no país, segundo dados não-governamentais, enquanto o regime aponta para cerca de "duas dezenas de mortos". Os protestos que eclodiram no Cazaquistão em 02 de janeiro degeneraram em violência na semana passada, o levou ao envio de uma missão militar liderada pela Rússia para o país, rico em hidrocarbonetos. A crise foi provocada pelo aumento do preço do gás liquefeito, que provocou inicialmente manifestações pacíficas em várias cidades do país. Foram os maiores protestos ocorridos no país desde que conquistou a independência, há três décadas.