2022-01-02 17:01:00 Jornal de Madeira

Áustria rejeita proposta de Bruxelas para rotulagem verde da energia nuclear

O Governo austríaco rejeitou hoje a proposta da Comissão Europeia para considerar os investimentos em energia nuclear e gás natural sustentáveis, no âmbito da transição verde, e ameaçou tomar medidas legais contra Bruxelas. A posição austríaca contra a proposta da Comissão Europeia (CE) foi manifestada pela ministra do Meio Ambiente e Energia, a ecologista Leonore Gewessler, alegando que a energia atómica e o gás natural "são prejudiciais ao clima e destroem o futuro dos nossos filhos”. A governante garantiu, na sua conta na rede social Twitter, que o Governo da Áustria vai estudar detalhadamente o projeto e que, se a proposta da Comissão for aplicada, levará o assunto ao Tribunal de Justiça da União Europeia. Na sequência de um referendo realizado em 1978 que rejeitou a abertura de uma central nuclear, foi aprovada legislação nacional que proíbe o uso deste tipo de energia no país. A CE pretende que os investimentos em centrais nucleares que obtenham uma licença de construção até 2045 recebam o rótulo verde e que o gás natural seja considerado sustentável, desde que seja proveniente de energias renováveis ou tenha baixas emissões de gases. Os Estados-membros estão divididos quanto ao papel que estas duas fontes de energia devem desempenhar na transição para a neutralidade climática que Bruxelas pretende alcançar em 2050. A França lidera o grupo de países que querem que a energia nuclear seja considerada sustentável, enquanto Espanha e a Alemanha se opõem, embora Berlim defenda que os investimentos em gás natural recebam o selo verde durante o período de transição. Os ambientalistas também se opõem ao reconhecimento das centrais a gás, que emitem dióxido de carbono (CO2), e das centrais de energia nuclear, alegando a produção de lixo radioativo. A Greenpeace considerou que a proposta da CE, ao promover essas formas de “energia tóxica e cara durante as próximas décadas, é uma ameaça real à transição energética da Europa”, enquanto a organização WWF manifestou a sua “preocupação” pelo facto de a Comissão ter estabelecido 12 de janeiro como prazo limite para os países da União e a Plataforma de Financiamento Sustentável se pronunciarem sobre uma medida que considera “complexa e polémica”.

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