2021-12-22 18:50:00 Jornal de Madeira

Marrocos e Israel celebram aniversário de restabelecimento de relações

Marrocos, Israel e os Estados Unidos comemoraram hoje o primeiro aniversário do restabelecimento das relações diplomáticas entre o reino e o Estado hebraico, sob o patrocínio de Washington.   Durante uma breve videoconferência, os chefes de diplomacia dos três países - Nasser Bourita, Yair Lapid e Anthony Blinken - saudaram uma parceria que visa estabelecer uma "paz duradoura" no Médio Oriente. A normalização faz parte dos "Acordos de Abraão", que levaram vários países árabes a normalizar relações com Israel e que foram patrocinados pelo ex-Presidente dos Estados Unidos Donald Trump. Apesar das simpatias pró-palestinianas da população marroquina, o restabelecimento das relações com Israel não suscitou protestos massivos. Marrocos concordou normalizar relações com o Estado hebreu, em troca do reconhecimento pelos Estados Unidos do controlo marroquino do Saara Ocidental, considerado como "causa nacional" pelo regime de Rabat. Os dois países estabeleceram relações diplomáticas no início dos anos 1990, antes de Marrocos as encerrar, no início da segunda Intifada, no princípio dos anos 2000. A normalização de relações entre Marrocos - onde existe uma grande comunidade judaica - e Israel tem estado a avançar a um ritmo constante, tendo permitido a conclusão de um acordo de cooperação sobre segurança, durante a recente visita a Rabat do ministro da Defesa israelita, Benny Gantz, para desconforto dos palestinianos e da vizinha Argélia. Israel é um dos maiores exportadores mundiais de aviões não pilotados (‘drones’) e de ‘software’ de segurança, nomeadamente através da polémica empresa NSO Pegasus. A ministra da Economia israelita, Orna Barbivai, é esperada na capital marroquina no início de 2022, segundo o chefe do gabinete israelita em Marrocos, David Govrin. Em agosto, a Argélia, país aliado de Moscovo, cortou as relações com Rabat, por causa de "ações hostis" do reino, num cenário de rivalidade regional e de desentendimentos devido à questão do Saara Ocidental, que há décadas opõe Marrocos aos separatistas da Frente Polisário, apoiada pelo regime de Argel.

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