Morreu Frederik Willem de Klerk, último presidente da África do Sul nos tempos do apartheid
Morreu Frederik Willem de Klerk, antigo presidente da África do Sul, avança a imprensa nacional. Tinha 85 anos. “O antigo Presidente morreu no início da manhã na sua casa em Fresnaye depois de uma luta contra o cancro”, afirmou ao ‘News 24’ Dave Steward, fonte oficial da fundação de Frederik Willem de Klerk. Frederik Willem, figura histórica que ao lado de Mandela evitou uma transição sangrenta na África do Sul, foi o último presidente da República sul-africano nos tempos do apartheid e uma das mais relevantes personalidades a participar na transição para a democracia. Sofria de mesotelioma, um cancro que afeta um fino tecido que cobre alguns órgãos internos. Foi de Klerk, que partilhou o Prémio Nobel da Paz com Nelson Mandela, que, num discurso proferido no parlamento da África do Sul no dia 02 de fevereiro de 1990, anunciou que aquele que viria a ser o primeiro Presidente negro da África do Sul, Nelson Mandela, seria libertado da prisão após 27 anos de cativeiro. O anúncio eletrizou na altura o país, que durante décadas tinha vinha ser desprezado e sancionado por grande parte da comunidade internacional pelo seu brutal sistema de discriminação racial conhecido como ‘apartheid’. Com o aprofundamento do isolamento da África do Sul e a sua economia outrora sólida a deteriorar-se, de Klerk, que tinha sido eleito presidente apenas cinco meses antes, anunciou também no mesmo discurso o levantamento da proibição do Congresso Nacional Africano (ANC) e de outros grupos políticos anti-‘apartheid’. Vários membros do parlamento abandonaram nesse dia a câmara enquanto o Presidente discursava. Nove dias mais tarde, Mandela saiu em liberdade e quatro anos depois seria eleito o primeiro Presidente negro do país, em resultado dos negros terem pela primeira vez exercido o direito de voto. De Klerk e Mandela receberam o Prémio Nobel da Paz em 1993 pela sua cooperação, muitas vezes intensa, no processo de afastamento da África do Sul do racismo institucionalizado e em direção à democracia.