Libertados dois canadianos detidos na China desde 2018
O Governo do Candá anunciou sexta-feira que os dois canadianos detidos na China desde dezembro de 2018 como retaliação pela detenção de Meng Wanzhou, a principal responsável financeira da Huawei, foram libertados por Pequim. O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, anunciou na sexta-feira à noite que Michael Spavor e Michael Kovrig foram libertados pelas autoridades chinesas e estão agora a caminho do Canadá. A libertação dos "dois Michaels", como são popularmente conhecidos, que tinham sido condenados por espionagem na China, ocorre poucas horas depois de Meng ter sido libertado no Canadá após ter chegado a um acordo com o Governo dos EUA, que a tinha acusado de fraude bancária para escapar às sanções impostas ao Irão por Washington. A justiça dos EUA aceitou o acordo entre o Departamento da Justiça e a Huawei, que vai permitir à filha do fundador e diretora financeira do conglomerado chinês de telecomunicações regressar à China. Uma juíza do tribunal federal de Brooklyn “aceitou” o acordo entre o Departamento da Justiça dos EUA e os advogados de Meng Wanzhou, que está no Canadá em detenção domiciliária há três anos e que a justiça dos EUA queria que fosse extraditada para a julgar no seu solo. Em causa estavam acusações de mentira para contornar as sanções dos EUA ao Irão, o que lhe poderia determinar uma condenação a 30 anos de cadeia nos EUA. Durante a anterior presidência norte-americana, Meng foi acusada de ter mentido para enganar bancos sobre as relações empresariais com o Irão e de ter coberto, através de uma empresa de Hong Kong, a Skycom, a venda de equipamento ao regime de Teerão, em violação das sanções norte-americanas. O acordo alcançado designa-se por acusação diferida, no qual o acusado concorda com algumas condições em troca do que o Departamento de Justiça pode deixar cair o caso. Reid Weingarten, um dos advogados de Meng, confirmou em mensagem de correio eletrónico a existência do acordo, mas não avançou detalhes, em particular sobre aquelas condições. Mas sabe-se que o acordo contempla o adiamento até ao final de 2022 da eventual apresentação de acusações por “fraude bancária”.