2021-09-15 07:59:00 Jornal de Madeira

Cerca de 650 mil haitianos precisam de ajuda humanitária urgente

Cerca de 650 mil haitianos, incluindo 260 mil menores, precisam de ajuda humanitária urgente, com assistência na saúde e na alimentação, alertou hoje a diretora regional da Unicef para a América Latina e Caraíbas. O alerta de Jean Gough surge um mês depois de um sismo de magnitude 7,2 na escala de Richter ter abalado o sudeste do Haiti. “As vidas das crianças e dos adolescentes salvos do terramoto estão agora ameaças por doenças evitáveis, porque não tem acesso a água potável e a serviços básicos de saúde”, disse a dirigente da Unicef. O sismo de 14 de agosto que abalou o território haitiano provocou mais de 2.200 mortos e pelos menos 12.200 feridos e destruiu cerca de 130 mil habitações, de acordo com o organismo das Nações Unidas. A alta funcionária do Fundo das Nações Unidas para a Infância – ou Unicef – explicou que, um mês após o sismo, “os serviços de saúde continuam suspensos no sudoeste do Haiti”, onde cerca de 82 centros hospitalares ficaram danificados ou destruídos. A capacidade de assistência hospitalar limitada apresenta elevados riscos para a saúde, como a infeção de feridas e risco de tétano. A falta de serviços de saúde de rotina aumentou o risco de mortes em maternidades e neonatais. Além disso, a capacidade das autoridades de saúde em prevenir, identificar e tratar a desnutrição também ficou enfraquecida com o terramoto. “Manter o acesso à assistência que salva vidas e retomar os serviços de saúde materno-infantil é uma prioridade crítica da resposta da Unicef, incluindo o tratamento de crianças e adolescentes com desnutrição aguda”, acrescentou. A Unicef solicitou 73,3 milhões de dólares (cerca de 62 milhões de euros) para responder às necessidades humanitárias, após o sismo, centrando-se em facultar apoio urgente em matéria de saúde, educação, água, saneamento, nutrição e proteção infantil, incluindo a violência de género, durante os próximos seis meses. Até ao momento, recebeu menos de 11% do valor pretendido, precisou o organismo. O Haiti, que já é um dos países mais pobres do mundo, com 60% da população abaixo do limiar da pobreza, situa-se numa zona sísmica. O anterior terramoto, ocorrido em 2010, fez mais de 200.000 mortos e devastou a economia do país. O sismo de 14 de agosto, com epicentro na península sul da ilha, causou a morte de mais de 2.200 pessoas.

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