2021-07-13 15:26:00 Jornal de Madeira

Japão encara tensões em torno de Taiwan como risco para segurança nacional e regional

O Japão está a acompanhar atentamente e “com uma sensação de crise” a crescente tensão em redor de Taiwan, num momento em que Pequim intensifica as atividades militares na zona e Washington oferece mais apoio à ilha autónoma. As preocupações nipónicas sobre Taiwan (território que Pequim continua a considerar uma província rebelde), a rivalidade crescente (nomeadamente económica e tecnológica) entre a China e os Estados Unidos e as ações militares chinesas cada vez mais assertivas na região estão expostas no relatório anual do Ministério da Defesa japonês que hoje foi aprovado pelo executivo liderado pelo primeiro-ministro do Japão, Yoshihide Suga. “Estabilizar a situação de Taiwan é importante para a segurança nacional do Japão e para a estabilidade da comunidade internacional”, referiu o documento, citado pela agência Associated Press (AP). “Precisamos de prestar muita atenção à situação com uma sensação de crise mais do que nunca", prosseguiu o relatório. As incursões militares cada vez mais musculadas da China no estreito de Taiwan e na região da Ásia-Pacífico tornou a ilha autónoma (que tem um sistema democrático e que funciona na prática como um país independente, sem ter esse estatuto oficial) num ponto crítico da estabilidade regional. Tóquio e Washington, a par de outras democracias, têm vindo a desenvolver laços mais estreitos com Taiwan, território que a China ameaça reunificar pela força caso seja necessário. “À medida que a China aumenta rapidamente o seu poder militar, as mudanças no equilíbrio de poder militar entre os Estados Unidos e a China podem possivelmente afetar a paz e a estabilidade da região do Indo-Pacífico”, alertou o relatório nipónico. “É necessário prestar mais atenção às tendências militares dos dois países em áreas como o Mar do Sul da China e Taiwan”, reforçou o documento. Taiwan foi uma colónia japonesa durante 50 anos, até 1945, e as ligações entre os dois territórios permanecem fortes. Em reação ao relatório da defesa japonesa, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Zhao Lijian, classificou o documento como “extremamente erróneo e irresponsável”. “Jamais permitiremos que qualquer país interfira de alguma forma na questão de Taiwan. A China deve e será certamente reunificada, e é do melhor interesse da paz e da estabilidade regional que a China alcance a reunificação completa”, declarou Zhao Lijian. China e Taiwan vivem como dois territórios autónomos desde 1949, altura em que o antigo governo nacionalista chinês se refugiou na ilha, após a derrota na guerra civil frente aos comunistas. Taiwan, formalmente chamada República da China, tornou-se, entretanto, numa democracia com uma forte sociedade civil Como consequência da pressão chinesa, menos de duas dezenas de países mantêm relações diplomáticas com Taipé.

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