Porta-voz das vítimas de padres pedófilos na Polónia demite-se após acusação de irregularidades
O presidente da principal associação polaca de ajuda às vítimas de padres pedófilos apresentou hoje a sua demissão ao ser acusado de irregularidades financeiras, segundo um comunicado da organização hoje divulgado. O presidente da fundação “Não tenham medo”, Marek Lisinski, ele próprio vítima de um padre pedófilo e principal figura contra as agressões sexuais na Igreja católica polaca, foi acusado por uma outra vítima, que lhe emprestou dinheiro sob o pretexto de necessitar de ajuda urgente, revelou o diário Gazeta Wyborcza. Apenas identificada como Katarzyna, 29 anos, e também vítima de pedofilia quando tinha 13 anos, disse que ofereceu a Lisinski 10.000 zlots (2.300 euros) como prenda e lhe emprestou 20.000 zlots (4.600 euros) após Lisinski ter referido que padecia de um cancro no pâncreas e necessitava de apoio. Disse ainda ao jornal não ter provas da sua doença ou medicação, apenas três fotos com manchas na pele. A pedido do conselho da fundação “Não tenham medo”, Marek Lisinski demitiu-se do seu cargo em 29 de maio, indicou a organização. Foi anunciada uma auditoria externa para verificar se a “atividade do antigo presidente enquanto pessoa privada não teve qualquer influência nos fluxos financeiros e na realização das atividades estatutárias”, acrescenta o comunicado. “Infelizmente, pelo meu comportamento trai a confiança das vítimas que me tinham pedido ajuda, e ainda das pessoas que trabalhavam na direção e no conselho da Fundação. Peço-vos que não associem as minhas atividades às da fundação ‘Não tenham medo’. Tudo o que fiz, foi unicamente em meu próprio nome”, sublinhou Lisinski numa declaração divulgada na página Facebook da organização. Numa outra declaração que surgiu de seguida no Facebook, afirma “ter pedido dinheiro emprestado” e “não ter extorquido”, tencionando devolvê-lo em dezembro. Os irmãos Tomasz e Marek Sekielski, realizadores do documentário independente “Não digas a ninguém” sobre a pedofilia na Igreja polacan difundido a partir de 11 de maio no YouTube e visionado por mais de 21 milhões de pessoas, indicaram por sua vez que Marek Lisinski lhes pediu dinheiro para surgir no filme, o que foi recusado. Em fevereiro, Marek Lisinski e membros da sua associação entregaram ao papa Francisco, em Roma, um relatório sobre a pedofilia no seio do clero. Após a entrega do documento, o sumo pontífice beijou a sua mão, segundo as imagens da televisão. A Igreja polaca reconheceu em março que cerca de 400 religiosos cometeram agressões sexuais sobre crianças e adolescentes no decurso das últimas três décadas.