MP pede condenação de Carlos Pereira
O Ministério Público pediu a condenação de Carlos Pereira, presidente do Marítimo e ainda da SAD do clube 'verde rubro' madeirense e de mais quatro dirigentes, acusados dos crimes de fraude fiscal qualificada e fraude fiscal contra a Segurança Social, no dia em que o líder maritimista decidiu falar em tribunal. Carlos Pereira, quebrou o silêncio para defender a “honra” e “descarregar a consciência”. “Fiquei mais leve, descarreguei aquilo que carreguei ao longo deste julgamento. Descarregar a consciência e defender a minha honra”, declarou Carlos Pereira, tendo iniciado a sua exposição com um pedido de desculpas aos seus advogados que não queriam que este usasse a palavra. De acordo com a acusação, os arguidos estão envolvidos num alegado esquema de pagamento a jogadores e treinadores com recurso a paraísos fiscais, fugindo ao pagamento dos impostos, incluindo contribuições à Segurança Social. Os factos constantes da acusação reportam-se ao período compreendido entre 2001 e 2005, estando relacionados com pagamentos de direitos de imagem. Nas alegações finais do julgamento no tribunal da Instância Central, no Funchal, o procurador da República, Paulo Oliveira e o advogado da Segurança Social pediram a condenação dos arguidos. “Arranjaram uma empresa que não estava sediada em Portugal e detinha os contratos de imagem dos jogadores. Pagavam uma parte do salário e a outra parte como se fosse um serviço de efeitos de exploração de direitos de imagem”, declarou o procurador. O responsável disse que este se trata de um “estratagema” para satisfazer as exigências dos jogadores e “amenizar os custos da Marítimo SAD.” Paulo Oliveira assume que “não ficaram dúvidas acerca dos factos consignados e que as provas factuais estão todas elas provadas, “não só o esquema, mas a participação dos arguidos.” “Inaceitável só querer se considerar que foi o Marítimo [SAD] a levar ao engano os jogadores e técnicos quando eles é que foram os verdadeiros beneficiários”, afirmou o advogado de defesa dos cinco arguidos. Refutando a explicação do procurador, quando afirmou que “jogadores jogam futebol não vendem a imagem”, o advogado sublinhou que se trata exatamente do oposto, referindo que os jogadores são ativos e que comprar e adquirir os direitos de imagem “também é negócio”.