Festa dos campeões nacionais foi histórica e polémica
Emocionante, será, quiçá, uma das palavras que podem certamente descrever o sentimento vivido pelos milhões de sportinguistas espalhados pelo mundo. E não é para menos. Depois de 19 anos, o Sporting Clube de Portugal voltou a ser coroado campeão nacional. Muitas gerações de sportinguistas festejaram na noite de terça-feira um titulo nacional pela primeira vez e como já era expectável, a situação pandémica que vivemos não foi suficiente para travar a euforia vivida um pouco por todo o país. Na Madeira, por exemplo, a hora de recolher estava marcada para as 23 horas, mas as centenas de sportinguistas presentes na Avenida do Mar e na Rotunda Bernard Harvey Foster, bem em frente à casa da família de Cristiano Ronaldo, não deram por terminados os festejos antes da 1 hora da madrugada. A baixa do Funchal foi, aliás, o epicentro dos festejos leoninos na ilha, como sempre acontece quando se registam motivos de festejos desportivos, independentemente das cores vencedoras. Festejos que aconteceram um pouco por toda a ilha, de Machico até à Calheta, onde, efetivamente, houve festa na casa de cada um dos milhares de adeptos leoninos residentes. Não obstante o claro desrespeito pelo limite do horário de recolher obrigatório e da proximidade que uniu os sportinguistas nas celebrações, as equipas policiais destacadas para controlar as celebrações optaram sempre por manter uma postura pedagógica. E se é verdade que as festividades geraram críticas de diferentes personalidades, não houve grandes incidentes a lamentar ao contrário de tantas outras ocasiões. Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional, aludiu ontem para o facto das comemorações terem decorrido sem incidentes e felicitou também a PSP pelo efeito. “Houve alguns excessos, mas também vamos ser razoáveis… As pessoas cumpriram, a PSP interveio, não houve violência, não houve nada de grave. Houve uns apitos, umas pessoas satisfeitas”. O governante regozijou-se ainda com a circunstância de na Região não se terem verificado “violações graves daquilo que está estabelecido na lei” e que, “comparado com Lisboa, aqui foi o paraíso”. Já na capital do país a festa foi rija e prolongada, desde o Estádio José Alvalade até à rotunda do Marquês de Pombal, um enorme mar verde tomou Lisboa de assalto. Na impossibilidade de controlar tamanha multidão, a PSP agiu com alguma agressividade em resposta aos “comportamentos hostis e desordeiros por parte de alguns adeptos”, mas nada era suficiente para acalmar tamanha felicidade e êxtase por parte dos adeptos leoninos. Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República, veio a público demonstrar o seu desagrado para com o que se passou na noite de 11 de maio. “Foi uma noite que não correu tão bem em termos de saúde pública, mas não generalizemos. O que aconteceu ontem (terça-feira) não deve ser padrão para as próximas semanas e meses", disse Marcelo Rebelo de Sousa, deixando ainda uma critica às entidades responsáveis pela situação: "Quem deve prevenir não conseguiu prevenir e quem deveria prevenir são, naturalmente, as entidades responsáveis por isso, mas também são todos os cidadãos". “Espero que dentro de 15 dias não tenhamos notícias menos boas por causa da euforia que houve nas ruas de Lisboa. Compreendo que as pessoas se emocionem e que queiram expandir a sua alegria, mas vamos esperar que isso não tenha custos para os lisboetas”, referiu o presidente. O presidente da República não foi o único a demonstrar a sua insatisfação com a forma em que os sportinguistas festejaram o titulo conquistado. As redes sociais dão eco ao desagrado de muitos portugueses para com o aglomerado durante o jogo em Alvalade e pelo causado na passagem do autocarro festivo no Marquês de Pombal. Muitos internautas protestam com a decisão de ter sido organizada uma festa, numa altura em que o país procura a melhor maneira de desconfiar em segurança.