2020-07-30 15:55:00 Jornal de Madeira

Justiça suíça abre processo criminal contra presidente da FIFA

A justiça suíça abriu hoje um processo criminal contra o presidente da FIFA, Gianni Infantino, por alegadas reuniões informais com o procurador-geral helvético Michael Lauber que, entretanto, se demitiu do cargo. De acordo com a investigação, liderada promotor Stefan Keller, nesses encontros aconteceram possíveis infrações como abuso de um cargo público, quebra de sigilo oficial, assistência a criminosos e incitação à prática de crimes. Na semana passada, Lauber apresentou a demissão de procurador-geral da Suíça, precisamente devido a várias reuniões informais com o presidente da FIFA, e foi retirado da investigação ao escândalo de corrupção que assolou o organismo em 2015, o denominado ‘FIFAgate’, por não ter declarado os contactos estabelecidos com Infantino, tendo também sido sancionado com um corte salarial de 8% pelo Ministério Público da Suíça, por ter mentido e obstruído a investigação disciplinar que era alvo. O Tribunal Administrativo Federal (TAF) acolheu parcialmente o recurso de Lauber, reduzindo o corte para 5%, mas o procurador acabou por se demitir. “No essencial, foram violados os deveres do procurador-geral, em particular no que diz respeito à terceira reunião com o presidente da FIFA, também considerada uma violação grave dos seus deveres”, lê-se no comunicado do TAF, que reconhece que Lauber "prejudicou a reputação" do Ministério Público, sem estar ciente da "ilegalidade dos seus atos". Em comunicado, Lauber disse “respeitar a decisão do TAF”, mas continuando “a rejeitar veementemente a acusação de mentir”. A justiça helvética espera também abrir um processo criminal a Lauber nos próximos dias. Em 04 de julho, a justiça suíça nomeou Stefan Keller como procurador extraordinário para avaliar supostos atos de conluio por parte de Infantino e Lauber, resultantes de denúncias anónimas. Atualmente, estão abertos processos penais contra três ex-dirigentes do organismo que rege o futebol mundial, incluindo o antecessor de Infantino, o suíço Sepp Blatter, e o atual presidente do Paris Saint-Germain, Nasser al-Khelaifi, sendo que todos eles negaram quaisquer irregularidades.

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