João Luís Mendonça e Duarte Rebolo
2014-11-11 09:00:34 Tribuna da Madeira

João Luís Mendonça e Duarte Rebolo

Estando a Madeira situada nas grandes rotas entre a Europa, África e América Latina, muitos procuraram ganhar a vida em terras além-mar, ou seja, emigrando. Falar da emigração madeirense é quase sinónimo de referir-se à Venezuela, país onde se estima que vivam cerca de 400 mil madeirenses. A Venezuela constitui uma das maiores comunidades de madeirenses presentes no Mundo, mas há outras, como a África do Sul, a Austrália, o Canadá, o Brasil, os EUA, o Reino Unido. Nesta ligação da ilha da Madeira às suas comunidades de emigrantes, são incontornáveis os nomes de João Luís Mendonça e Duarte Rebolo. Um na música, o outro no comando dos programas “Abraço da Madeira” e “Atlântida”. Com o programa musical “Madeira em Festa”, João Luís Mendonça já atuou nos principais palcos e eventos internacionais onde residem emigrantes madeirenses. Duarte Rebolo é a voz do “Abraço da Madeira”, programa transmitido no Canal 1 da RDP Madeira. Apresenta ainda o “Atlântida” programa televisivo semanal produzido pela RTP Açores e pela RTP Madeira, sendo também transmitido pela RTP Internacional. É um pouco da realidade da emigração madeirense o que aqui se conta. Tribuna da Madeira (T.M.) – Através do “Abraço da Madeira” e do “Atlântida”, o Duarte Rebolo tornou-se uma das vozes mais conhecidas da comunidade emigrante madeirense. Sente-se como que um porta-voz daquelas pessoas que não vêm à terra há muitos anos? Duarte Rebolo (D.R.) – É uma pergunta que cabe aos emigrantes responder mas acho que eles vão responder que sim. É um pouco isso. T.M. – Para percebermos do que estamos a falar, importa saber como é que começou o seu percurso na rádio e, mais recentemente, na televisão? Duarte Rebolo – Comecei em 1991, na Estação Rádio Madeira, a conhecida “emissora do cambado” no Pico dos Barcelos. Comecei a fazer rádio por mero acaso. Na altura, falei com um amigo que trabalhava naquela rádio para saber da possibilidade de colaborar na locução. Uns dias depois, chamaram-me para fazer uns testes na rádio, o que aconteceu no dia 12 de maio, véspera da visita à Madeira do Papa João Paulo II. No dia 13 de maio (Dia de Nossa Senhora de Fátima) já estava a trabalhar. Tive diversas experiências, nomeadamente o programa “Cidade Nua”, ainda na Estação Rádio da Madeira, que foi um programa marcante dado o impacto que esse programa tinha pelos seus altos níveis de audiência. A cidade parava para ouvir o programa que era transmitido à noite no FM e na OM da Estação Rádio Madeira. Colaborei ainda na rádio Renascença, nas emissões desta na Madeira, e na TSF ao nível dos programas desportivos, nomeadamente relatos de futebol. Passei depois para a Radio Difusão Portuguesa (RDP), onde comecei nos programas desportivos e depois apresentando o programa para os emigrantes. No início foi não foi fácil porque estava habituado ao formato dos programas desportivos mas adaptei-me e hoje, estou perfeitamente à vontade no “Abraço da Madeira”, que comemorou em maio deste ano (2014), 20 anos. Na condução do programa, estou há cerca de 15 anos. O “Abraço da Madeira” continua igual sendo que, a mudança mais significativa situa-se ao nível dos apresentadores, ou seja, este programa teve várias vozes ao longo destes anos. Foi uma iniciativa do Carlos Melim, antigo chefe de emissão da RDP-Madeira, e começou a ser apresentado pelo Luís Alberto Silva. Continuou com o José Manuel Sampaio, a Maria João Coimbra, a Marta Cília, o Luís Reis, o David Sousa e por último, por mim. Faço o programa todos os domingos à mesma hora, que é a hora em que normalmente as pessoas estão com a família, e eu estou na rádio – é transmitido aos domingos das 13h às 15h, na RDP-Madeira para a RDP-Internacional. Às vezes é complicado porque eu também tenho família mas faço-o com gosto porque é em prol desta paixão que é a rádio e, mais recentemente, a televisão. Acho que, tudo o que é feito por amor resulta melhor. O mais importante é estarmos lá, marcarmos presença e termos esta ligação com isto a que chamo de “imenso mundo português”. Em relação à televisão, um dia ligaram-me da RTP-Madeira a dizer que iam precisar de mim para ajudar porque a Maria Aurora, que apresentava na altura o “Atlântida”, não estava bem. Fiquei apavorado porque nunca tinha trabalhado em televisão mas como gosto de desafios aliciantes, aceitei. Comecei a fazer as reportagens para a Maria Aurora, que foi como tudo começou. A grande passagem de testemunho foi quando ela me disse: “tenho gostado muito de te ver, estás bem aí e continua dessa forma. Foi assim em 2010. A Maria Aurora foi sempre a pessoa que me apoiou. Ela foi fundamental neste meu percurso porque incentivou e criticou quando tinha que criticar. Ensinou-me a ser melhor no trabalho que viria a desenvolver. Comecei com ela em 2008 nas reportagens e depois passei para a apresentação do programa em 2010. O primeiro Atlântida que fiz sozinho foi no dia 20 de fevereiro de 2010, o dia da grande enxurrada que assolou o Funchal. Tínhamos um programa preparado para ir para o ar mas com toda a envolvência devido à enxurrada, ligaram-me às três da tarde a dizer que o programa não ia ser nada do que estava previsto. Foi para o ar com o Domingos Rodrigues e o Raimundo Quintal como comentadores do que estava a acontecer na Madeira nesse fatídico dia do […]

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