«Pedras em Mar de Papel» de Joana Homem Costa
O livro, editado por O Liberal, será lançado no dia 21 de abril, pelas 18:30 horas, no Ateneu Café «Pedras em Mar de Papel» é assinalado como o «diário de bordo» de Joana Homem Costa. Em declarações ao Tribuna, a autora aponta que «ser culto não é só ler muitos livros» e defende a necessidade de se «desmistificar certos dogmas relativamente à cultura literária». «Pedras em Mar de Papel» é o novo livro da autoria de Joana Homem da Costa. Trata-se de uma colectânea de crónicas da autora, publicadas no Semanário Tribuna da Madeira, durante quase três anos. Sobre o livro, Joana Homem da Costa apontou: «O que escrevo é mais ou menos como um diário de bordo. Um itinerário paralelo ao dia-a-dia. Uma comunicação quase que inconsciente, onde a verdadeira essência está no que acontece antes das palavras escritas, uma divagação consequente.» Questionada sobre a que tipo de leitor se destina este livro, respondeu: «Escrevo para toda a gente. Escrevo de mim para mim e de mim para todos. Para quem se identifica, para quem compreende, para quem tem curiosidade, não concebo nenhum tipo de escrita que não seja para as pessoas no seu conceito interminável.» «Pedras em Mar de Papel» é o segundo livro publicado da autora. «O primeiro, “Alguns Anos Depois…”, foi editado em 2008, uma compilação de textos divulgados no meu blogue», disse. «Continua a ser uma experiência um tanto surpreendente publicar o que em tempos pensava que somente me interessaria a mim. Partilhar tem efeitos inesperados, diria que enriquecedores para escrever ainda mais», acrescentou ainda. Instada a comentar sobre a situação literária na Madeira, Joana Homem da Costa realçou que lhe falta dados para responder convenientemente a esta questão. No entanto, apontou: «Como vejo? Às vezes muito, demais e às vezes vejo muito pouco. Talvez veja a situação literária como muitas outras situações, distante das pessoas, envolta em círculos difíceis de transpor. Por vezes, os egos e as inseguranças não permitem um universo alargado de pluralidade intelectual.» Questionada sobre se, na sua opinião, tem sido dado o destaque e atenção devidos à literatura madeirense, respondeu: «A atenção dada é relativa. Existe uma diferença entre atenção e importância, entre divulgação e consideração. Transpor círculos pequenos e, por vezes, muito fechados que não chegam às pessoas. Existem distâncias que têm que ser encurtadas, ou talvez desmistificar certos dogmas relativamente à cultura literária, ou até mesmo à cultura de um modo geral.» Continuando: «Uma sinergia sensata entre meios de divulgação e material de qualidade, sem lobbies e favoritismos. Nem tudo o que luz é ouro e nem tudo o que se escreve pode ser catalogado da mesma forma.» Ainda no âmbito da leitura, o Tribuna solicitou a sua opinião sobre os jovens. Se estariam ou não mais ligados à leitura. A resposta: «Fomentar a leitura? Fomentar o pensamento. Questionar, questionar-se, inspirar-se no mundo que nos rodeia, compreender mais que adjectivar, isso faz falta em todas as gerações, infelizmente. Todas as actividades mentais e não puramente mecânicas incutem o exercitar da opinião própria, da análise e interpelação do mundo e de nós mesmos.» «Não queremos somente seres ditos intelectuais mas depois incultos. Ser culto não é só ler muitos livros, não é debitar discursos eruditos. Ser culto é viver a saber contestar com argumentos fundamentados, interrogar com clareza, agir com transparência e decidir com compreensão. Não queremos rebanhos, nem contestatários sem coerência, as verdadeiras mudanças fazem-se nas consciências», afirmou. Quanto a expetativas para o dia do lançamento: «Não comecei a escrever para publicar e ainda hoje não escrevo puramente como esse intuito. É um deitar cá para fora de pensamentos que me dá gosto partilhar. Habituei-me à divulgação e aprendi a apreciá-la, com algumas fases de mudança, tanto a nível de retorno como de expectativas. Para o dia do lançamento, espero que seja mais um momento de partilha…». Para finalizar, Joana Homem da Costa deixa a sua mensagem: «A mensagem que deixo no que escrevo, é sortida, depende da altura da vida e é passível de ser interpretada por cada um de uma forma diferente, e isso é o que mais me cativa quando escrevo. Não debitar certezas, contar histórias ou relatar factos, mas sim navegar por entre os pensamentos. Cada um que encontre a sua âncora, defina o estado do tempo ou especule sobre o itinerário. Como um passeio em alto mar, um misto de sensações, uma alucinada aventura, onde o destino nos surpreende, somos postos à prova e tudo implica questões, reflexões, decisões e consequências.»