«Os artistas têm de se adaptar às dificuldades»
2015-04-17 09:00:41 Tribuna da Madeira

«Os artistas têm de se adaptar às dificuldades»

Afirmou Benjamin Begin É francês mas rendeu-se à Madeira, onde reside há seis anos. Benjamin Begin tem formação de marketing e gestão mas a sua paixão é a fotografia e a pintura. Com um pedaço de madeira, encontrado em qualquer local, Benjamin transpõe fotografias e cria pinturas dando uma “segunda vida” à madeira, como realçou ao Tribuna. Os seus trabalhos podem ser vistos numa exposição agendada para dia 5 de Agosto, no Museu Casa da Luz. Tribuna da Madeira (TM) – Que tipo de arte é que faz? Benjamin Begin (BB) - O meu género predileto é o desenho e a pintura onde me iniciei muito novo. À medida que fui crescendo fiz um pouco de grafitti no liceu e desde há uns dez anos que me divirto com o photoshop, tendo iniciado a fotografia há quatro anos, « por causa » da Madeira. O problema é que a a pintura, para ser feita de um modo sério, exige muito tempo e espaço. Quando cheguei à Madeira fiquei logo apaixonado pelo sitio. Encontrei uma máquina fotográfica antiga, analógica, daquelas de rolos, em casa dos meus pais em França, e trouxe-a para cá. A fotografia apresentou-se me então como um novo desafio artístico. Não me considero nenhum génio do desenho ou o novo Picasso, simplesmente alguém com uma sensibilidade especial para o mundo que me rodeia. TM – Há quanto tempo é que se dedica à arte? BB - O meu pai é arquiteto paisagista e um dos únicos nesta profissão que ainda desenha os esquemas à mão. O meu tio foi designer de algumas das mais conceituadas marcas do Surf, pelo que eu cresci dentro do meio. Na escola passava o tempo a desenhar, a fazer caricaturas dos professores e fui sempre o primeiro nas artes plásticas. Mas foi por volta dos meus 18/19 anos, e principalmente por via do grafitti, que senti o desejo de passar às telas. Não frequentei nenhuma escola de arte, sou autodidata na maior parte das minhas valências. Somente frequentei alguns cursos de arte, noturnos. Contudo a minha formação é de marketing e gestão. Quis ter a segurança de um diploma que me garantisse poder arranjar trabalho. TM – O seu site chama-se «seriegrafik», é na serigrafia que se baseia a sua arte? BB – O meu site chama-se «seriegrafik» sendo que esta denominação serve mais como uma palavra chave, fácil de reter. Uma vez que vagueio entre a fotografia, a pintura e as artes plásticas, achei que resumia bem o conceito. O meu trabalho na Madeira desenvolveu-se a partir desta temática, mas por mero acaso. A serigrafia acaba por ser uma técnica que apoia a minha ideia inicial, que para mim não considero verdadeiramente uma arte. Isto porque acima disso existe a fotografia, também ela uma arte, todo o trabalho de suporte, no meu caso a madeira, que também requer algum talento de carpintaria. A serigrafia acaba por ser o veiculo lógico que encontrei para concretizar o meu trabalho aqui. TM – O que pretende mostrar ou transmitir nos seus trabalhos? BB - Antigamente a arte era reservada a um certo grupo de pessoas, era exposta em galerias e de difícil acesso. Hoje em dia, e nomeadamente por via da Internet, os jovens têm portas abertas a muitas referências e conseguem adquirir uma cultura e uma educação artística. A street art democratizou a arte tornando-a visível para todos, assim como os grandes mídias, televisão e publicidade. Sou filho dessa sociedade e trabalho com base na ideia de não produzir coisas inacessíveis, que não signifiquem nada para as pessoas. Na minha opinião não vivemos nesse período. Em 2015 as pessoas querem ser inseridas, divertidas, apaziguadas e cultivadas. A arte é uma bela maneira de interligar esses valores.   “A Madeira surgiu como um empolgante desafio” TM – Reside na Madeira? BB - Sim, vivo aqui há seis anos. TM – Porque optou por vir para a Madeira? BB - Tal como já referi, estudei marketing e gestão com o intuito de assegurar a possibilidade de ter trabalho. E foi precisamente através de uma proposta nessa área que vim cá parar. Não estando a trabalhar em França, a Madeira surgiu como um empolgante desafio que não hesitei em aceitar. TM – Como tem sido a sua permanência na Ilha? BB - A Madeira é um lugar peculiar, fora do tempo, onde se aprende todos os dias. Tenho vivido os melhores anos da minha vida aqui. TM – Os madeirenses são acolhedores? BB - Os Madeirenses são pessoas integras com muitos princípios. Podem ser tão austeros quanto acolhedores. Digamos que são pessoas de parte inteira tal como espelha a sua ilha. Encontrei aqui pessoas fora do comum. TM – Já realizou alguma exposição dos seus trabalhos? BB - Sim. Tudo começou, como aliás frequentemente acontece, à volta de uma bebida, com o Living Room e Michael Yang. Eu estava muito ocupado com o meu trabalho de marketing e por isso pouco ativo nas minhas artes. Foi quando ele me propôs uma exposição no seu bar. A principio queria fazer pinturas. Mas apercebi-me rapidamente de que isso não iria propriamente chegar aos Madeirenses. Tinha vontade de lhes agradar, e não agradar-me a mim. Lembrei-me então da técnica que o meu tio me tinha ensinado para transpor fotografias para a madeira. Pareceu-me óbvio imediatamente. Depois do Living Room fiz uma exposição na praia do Zion Project Bar onde fui […]

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