2020-07-02 Teatro Municipal

Engolir Sapos

Engolir Sapos

Amarelo Silvestre

Pai, filha e sapos de loiça sobem ao palco virtual do Baltazar Dias para abordar o preconceito 

No próximo dia 2 de julho, pelas 21 horas, será disponibilizado ao público, através das plataformas digitais do Teatro Municipal Baltazar Dias, o espetáculo “Engolir Sapos” da Companhia Amarelo Silvestre, programada para a presente temporada artística.

Constituída em 2009, a companhia de teatro Amarelo Silvestre desenvolve atividades de teatro contemporâneo criado em contexto semiurbano, atento ao mundo e à vida. Destaque para a dramaturgia em língua portuguesa e para o corpo coreográfico do ator em cena. Os espetáculos da Amarelo Silvestre, regra geral, nascem da vontade de refletirmos sobre a condição humana, sobre a individualidade da condição humana. Poderá haver outra motivação, outras motivações, mas esta é, por norma, a questão de fundo. De que é que eu sou capaz, de que é que eu sou feito? Quem sou eu num determinado contexto? Qual é o meu lugar?

Este espetáculo estreou março de 2019, com encenação de Rafaela Santos, no Teatro Viriato em Viseu, e partiu da constatação de que, nas cidades portuguesas, existem muitos estabelecimentos comerciais que têm sapos expostos, não por motivos decorativos, mas com o objetivo de afastar ciganos. Quem somos nós que expomos sapos, quem somos nós que tememos sapos, quem somos nós? Se os sapos incomodam pessoas de carne e osso – os ciganos – os sapos incomoda-nos a todos.

Fernando Giestas, que escreveu o texto do espetáculo, explicou aos jornalistas que a primeira fase deste trabalho foi de pesquisa e de residências artísticas de uma semana em diferentes territórios como Ílhavo, Ovar, Lisboa, Montemor-o-Velho, Figueira da Foz, Viseu, Nelas e Canas de Senhorim.

“Fomos à procura da ideia do sapo de loiça que está à mostra, mais ou menos visível em alguns locais, e tentar perceber esse conflito, esse quotidiano dos territórios”, contou, acrescentando que “os preconceitos pairam no ar”, aparecendo, muitas vezes, nem se sabe onde.

Em Portugal, existem entre 40 a 60 mil ciganos, uma minoria entre as maiorias.

Fernando Giestas disse que a ideia é refletir sobre “como é que um pai mostra o mundo à filha e como é que a filha começa a trabalhar criticamente na leitura do mundo”. O pai é interpretado por Ricardo Vaz Trindade e a filha por Amélia Giestas, de 11 anos.

“Há anos, o nosso benquisto Laborinho Lúcio corrigiu uma verdade, para mim inquestionável durante 40 anos. Dizia eu, como tantos, o chavão: “A minha liberdade termina onde começa a do outro”. Corrigiu Laborinho: “A minha liberdade relaciona-se com a liberdade do outro. A minha liberdade dialoga, concilia-se, com a liberdade do outro”. A minha liberdade não termina nesses muros que vão construindo dentro da nossa cabeça. A liberdade não vive entremuros. Não termina. Não tem fim. Tem conciliação. As liberdades, as liberdades de cada um de nós, falam entre elas. A minha liberdade é o meu lugar na relação com as liberdades e os lugares dos outros” escreve Fernando Giestas.

 

Ficha Artística e Técnica

Encenação – Rafaela Santos
Dramaturgia – Fernando Giestas
Interpretação – Amélia Giestas e Ricardo Vaz Trindade
Música – Ricardo Baptista
Desenho de Luz – Jorge Ribeiro
Cenografia e Figurinos – Henrique Ralheta
Apoio ao Movimento – Leonor Barata
Apoio à Dramaturgia – Jorge Palinhos
Assistente de Cenografia – Carolina Reis
Produção Executiva – Susana Rocha
Gestão Administrativa – Paula Trepado
Registo Videográfico – Eva Ângelo
Apoio ao Registo Videográfico – Maria Ana Krupenski
Registo Fotográfico – José Alfredo

Criação – Amarelo Silvestre
Co-produção – Amarelo Silvestre, Teatro Viriato, Centro de Arte de Ovar e Teatro Municipal do Porto
Residências Artísticas – Teatro Viriato, As Casas do Visconde, Centro de Arte de Ovar, Citemor, Projecto 23 Milhas e ZDB
Parcerias – Olho Vivo/Viseu, As Casas do Visconde
Apoio – República Portuguesa – Cultura/Direcção Geral das Artes
Outros Apoios – Patinter, Borgstena e Agrupamento de Escolas, Bombeiros Voluntários, Centro Social e Paroquial e Junta de Freguesia de Canas de Senhorim

Classificação Etária – M/12
Duração – 50 min. aprox.

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