02/11/2009, 18:01
Univ. Internacional abriu portas mas sem aulas nem alunos
A Universidade Internacional em Lisboa abriu hoje as portas, mas apenas para trabalho administrativo, já que as aulas estão suspensas por ordem da tutela que determinou o encerramento compulsivo do estabelecimento de ensino a partir de 31 de Outubro.
À primeira vista, tudo parece decorrer dentro da normalidade na Universidade Internacional em Lisboa: as portas estão abertas, a secretaria mantém-se em funcionamento com dois funcionários atrás do balcão e até o bar serve cafés e bolos animado pela música que sai do rádio.
Mas à medida que se avança universidade adentro, a ideia que fica é a de um espaço fantasma, com salas, corredores e jardins desertos, e onde o silêncio impera.
No bar, a funcionária afirma que ainda não começaram as aulas e que nem sabe se chegarão a começar, manifestando alguma angústia face ao futuro do seu posto de trabalho.
As únicas pessoas que continuam a passar diariamente pelo bar para tomar um café são os elementos da Sociedade Internacional de Promoção de Ensino e Cultura (SIPEC), proprietária da Universidade Internacional, adiantou a mesma funcionária.
Perto do meio-dia chega Javier Vigo, administrador da SIPEC. À Lusa explicou que as aulas estão suspensas e que o ano lectivo não chegou sequer a iniciar-se na Internacional de Lisboa.
O mesmo não terá sucedido na Figueira da Foz, que abriu o ano lectivo a 14 de Setembro, na esperança de uma decisão favorável do ministério ou do tribunal, o que não aconteceu, explicou.
No dia 31 de Outubro, as aulas foram suspensas na Figueira da Foz, dando cumprimento à determinação do Ministério do Ensino Superior de encerrar compulsivamente a Universidade Internacional "por manifesta falta de viabilidade económico-financeira" com efeitos a essa data.
De acordo com o responsável, apesar de haver uma providência cautelar contra o encerramento compulsivo da universidade, que permitiria o seu funcionamento até decisão da acção principal, a SIPEC entendeu "encerrar mesmo a universidade para não criar mais atritos" com a tutela.
"Neste momento, a SIPEC continua a sua actividade, e apenas os seus funcionários continuam a vir aqui. Não há aulas, nem professores, nem alunos. Não abrimos sequer inscrições. Não temos qualquer aluno inscrito", disse Javier Vigo.
Poucos são os estudantes que ainda vão aparecendo na universidade, unicamente para levantar os certificados e tratar da transferência para outro estabelecimento de ensino.
Até lá, Javier Vigo pretende cumprir as determinações da tutela enquanto aguarda pela decisão do recurso que interpôs em tribunal.
Esta é uma nova postura assumida pelo administrador, que até há um mês atrás afirmava a intenção de manter a universidade aberta, considerando que apenas ao tribunal competiria decidir o seu encerramento.
Mas não só a garantia do funcionamento das aulas deixada até há pouco tempo por Javier Vigo poderá ter induzido os alunos em erro. Num comunicado fixado na porta da secretaria, datado de 23 de Setembro, pode ler-se: "Resolvidos os problemas, a tão esperada abertura do ano lectivo 2009/2010 vai ter lugar sem nenhumas restrições e na total normalidade no próximo dia 1 de Outubro de 2009, com um mínimo de alteração do corpo docente".
Tal não aconteceu, mas o papel também não foi retirado da porta.
Os alunos, no entanto, parecem já não se enganar. Segundo uma estudante de direito que se transferiu para outra universidade, poucos são os que ainda acreditam que vão ter as aulas na Internacional.
Todos os outros pediram os certificados e estão a tratar de trocar a Internacional por outra universidade qualquer.
Fonte: Diário Digital
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