Mario Draghi apela ao apoio alemão para salvar o euro
2012-08-29
O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, apelou hoje aos alemães mais céticos que apoiem os esforços para salvar o euro, admitindo erros de conceção na moeda única, mas considerando-os corrigíveis.Num artigo publicado no semanário alemão 'Die Zeit' e citado pela agência AP, Draghi sustenta que tal não implica que a Alemanha tenha continuamente de subsidiar os países em dificuldades.Segundo sublinha o presidente do BCE, enquanto país exportador muito integrado nas economias global e da zona euro, a Alemanha precisa de um euro forte e estável.Na sua opinião, há formas de ultrapassar as atuais falhas da moeda única sem criar uma federação política ou uns "Estados Unidos da Europa", o que implicaria que os países mais ricos, como a Alemanha, estivessem constantemente a subsidiar as economias mal geridas.Para Draghi, é possível optar por soluções menos drásticas, como a criação de um rígido observador central dos gastos nacionais e uma regulação mais forte dos bancos.No artigo de jornal, o líder do BCE afirma que o modelo original de 1999 do euro - uma moeda partilhada por vários países com um muito limitado controlo sobre os respetivos gastos e economias - foi desacreditado pela crise da dívida que obrigou ao resgate financeiro da Grécia, Irlanda e Portugal devido aos elevados défices acumulados.Tendo o euro sido criado como "uma moeda sem um Estado" para preservar a independência dos países membros, Draghi considera que a crise da dívida demonstrou que "este modelo institucional deixou a zona euro insuficientemente equipada para garantir políticas económicas sustentáveis e enfrentar devidamente as crises".De acordo com Mario Draghi, impõe-se um debate sereno sobre os "requisitos mínimos" para assegurar uma união monetária, incluindo mais controlo da União Europeia sobre os gastos de cada país e um mais apertado escrutínio dos bancos."Precisamos de uma efetiva fiscalização sobre os orçamentos nacionais", sustentou, acrescentando que "as consequências de políticas fiscais desadequadas numa união monetária são demasiado sérias para que estas continuem a ser autorreguladas".O artigo de Draghi no 'Die Zeit' surge numa altura em que as autoridades europeias equacionam novas formas de enfrentar a crise da dívida na União e em que o BCE se mostrou disponível para comprar títulos de dívida pública, com o objetivo de aliviar os países em dificuldades, desde que os respetivos governos recorressem ao resgate financeiro da zona euro e concordassem em tomar medidas para reduzir o défice.Neste contexto, a opinião pública alemã assume um papel chave, já que este país é o principal contribuidor para o fundo de resgate financeiro europeu.Diário Digital com Lusa
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