Fim da maioria absoluta representaria “mudança muito significativa”, consideram politólogos
O fim da maioria absoluta do PSD na Madeira, caso se concretize, representará uma "mudança muito significativa", embora seja o reflexo da tendência que se verifica desde 2011 dos sociais-democratas perderem votos, segundo politólogos contactados pela Lusa. "Se isso acontecer, se o PSD perder a maioria absoluta, será uma mudança muito significativa, porque estamos a falar de 40 anos de funcionamento político da Região Autónoma da Madeira", afirmou o politólogo António Costa Pinto, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. A Madeira, recordou, conheceu durante muitos anos o que se pode chamar de "sistema de partido dominante", com os sociais-democratas a governar em maioria absoluta desde as primeiras eleições para o parlamento regional, em 1976. Um sistema que, acrescentou, na sua última etapa se caraterizou por "conflitos e tensões" no interior do "partido dominante", com a ascensão da tendência chefiada pelo atual presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, para substituir Alberto João Jardim, que desde 1978 estava à frente do executivo madeirense. "Agora, finalmente temos incerteza", salientou, considerando que nas eleições de domingo para a Assembleia Legislativa da Madeira "existe um risco bastante próximo da perda da maioria" absoluta do PSD, que será por isso obrigado fazer entendimentos parlamentares ou mesmo acordos de governação com um ou com vários partidos. Insistindo que "o fator fundamental" é essa "incerteza", António Costa Pinto considerou ser "evidente a perda progressiva de controle político, económico e social que o partido dominante sempre teve". "Saber se será o PAN ou outro partido a juntar-se ao PSD, num certo sentido tem menos interesse", salientou. Pois, acrescentou, as eleições de domingo são "um teste à deterioração dos mecanismos clientelares que têm dominado a Madeira, tudo o resto vem por acréscimo". Também para o sociólogo e professor catedrático de Ciência Política André Freire, uma eventual perda de maioria absoluta do PSD na Madeira será "uma mudança fundamental". "Já será uma grande mudança", disse, lembrando que, ao longo de mais de 40 anos, não houve alternância no poder, apesar de essa ter sido "uma escolha das pessoas". Por isso, salientou, se das eleições de domingo sair um Governo liderado pelo PSD que seja obrigado a fazer entendimentos "isso em si mesmo já é notável". "O poder já não estará concentrado, haverão novos protagonistas, haverá a quebra de monopólio de um só partido", referiu. Por outro lado, continuou, "a incerteza" que existe poderá ser boa por constituir um estímulo à participação dos eleitores. "Antevejo um aumento da votação porque há este estímulo à participação", acrescentou. Para a professora de Ciência Política Teresa Ruel, a tendência mostrada pelas últimas sondagens que foram divulgadas, que apontam para a perda de maioria absoluta social-democrata na Madeira, "não é totalmente surpreendente", porque "desde 2011 que o PSD tem vindo a perder votos" na região autónoma. "É uma tendência que se verifica desde 2011", disse, considerando que isso poderá ser reflexo de vários fatores, como "um descontentamento do eleitorado ou resultado do desgaste" de mais de quatro décadas de hegemonia social-democrata. Assim, para Teresa Ruel, "a novidade" que poderá acontecer nas eleições de domingo é que, "eventualmente, será necessário algum entendimento para garantir a estabilidade em termos parlamentares" . Um entendimento que, para a professora de Ciência Política", deverá passar pelos partidos da direita, já que, pelas intenções de voto reveladas pelas sondagens, "não é expectável" que a solução de governo seja encontrada à esquerda. Nas regionais de 2015, os sociais-democratas seguraram a maioria absoluta - com que sempre governaram a Madeira - por um deputado, com 24 dos 47 parlamentares.
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Fonte: Jornal de Madeira

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