Convenção Nacional rejeita SNS para pobres e gerido com base em preconceitos
A Convenção Nacional da Saúde rejeitou hoje “um SNS para pobres”, mas também não quer um sistema gerido por preconceitos e sem avaliação transparente do que se faz no público, no privado e no social. “Não queremos um SNS para os pobres, porque isso seria o fim da universalidade, equidade e solidariedade como a conhecemos e idealizámos e marginalizaria no sistema os que, por via do rendimento, não podem exercer a sua liberdade de escolha”, afirmou a bastonária dos Farmacêuticos no discurso em que apresentou as conclusões da terceira reunião da Convenção Nacional da Saúde que hoje decorreu em Lisboa. Nas conclusões, as cerca de 150 organizações de saúde que participaram na convenção rejeitam ser “geridas por preconceitos, conflitos de interesse, decisões pouco informadas e sem avaliação”. A bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, Ana Paula Martins, disse ainda que o setor continua “capturado por preconceitos” e gasta “energias vitais a discutir o acessório”, como a relação entre público e privado, “indiferente à indiferença dos cidadãos perante temas que não percebem e sobretudo que nada acrescentam à sua vida quotidiana”. As “dificuldades reais das pessoas” são outras e "os problemas multiplicam-se todos os dias. As pessoas procuram soluções de todas as formas para conseguir a consulta que esperam há seis meses, para obter o medicamento que precisam, para não esperar dois anos por uma cirurgia”, disse. Da agenda para a próxima década, que resultou da reunião da Convenção no ano passado, foram hoje destacadas três prioridades: a defesa mais humanizada do doente, promover o valor da saúde em todas as políticas e assegurar a participação dos doentes e cuidadores. Num momento em que se discute a Lei de Bases da Saúde e antes de mais uma campanha eleitoral, a Convenção deixou um recado aos partidos políticos: o sistema de saúde “não pode ser objeto de intervenções pouco pensadas, sujeitas a imediatismos eleitorais ou interesses conjunturais”. “Defender o interesse público não tem cor política nem é propriedade de uns ou outros”, declarou Ana Paula Martins. Sobre o subfinanciamento crónico da saúde em Portugal, a convenção entendeu que se deve olhar para o que é aplicado no setor como investimento, indicando que é altura de perguntar aos portugueses onde querem ver o seu dinheiro investido. “Reafirmamos nesta convenção que renovar o SNS é respeitar a sua identidade, os seus princípios, a sua história e a sua evolução. Não é um regresso ao passado, é olhar para o futuro, projetando-o com tudo o que aprendemos, e como podemos de forma universal, garantir saúde com qualidade a todos os portugueses. Clarificando o papel dos setores público, privado e social. Regulando de forma eficiente. Adotando modelos solidários de financiamento, mas recompensando o que efetivamente gera valor nos resultados e inova no processo”, defendeu Ana Paula Martins. As conclusões da Convenção salientam que o SNS é "popular e estimado”, sendo um projeto que une os portugueses e representa um “selo de confiança”. Para assim continuar, tem “de se revitalizar, reorientar e continuar a atrair capital humano de qualidade”.
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Fonte: Jornal de Madeira

2019-07-15 14:40:00
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