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Massacre em mina intensifica agitação social na África do Sul
O massacre de mineiros na África do Sul intensificou a agitação social, forçou o presidente Jacob Zuma a um regresso antecipado de Moçambique, questionou os métodos policiais e alimenta receios quanto aos investimentos na economia, noticia a AP.

O chefe da polícia nacional, Mangwashi Victoria Phiyega, revelou ontem, em conferência de imprensa, o balanço dos disparos sobre os mineiros em greve na mina de platina Lonmin, a noroeste de Joanesburgo: 34 mortos e 78 feridos.

Phiyega argumentou que os disparos foram feitos em autodefesa e realçou que os mineiros tinham a arma que tinham retirado a um dos dois polícias que agrediram até à morte na segunda-feira.

As imagens de vídeo mostram que os mineiros estavam a fugir de uma colina, que tinham ocupado, depois de esta ter sido atingida por granadas de gás lacrimogéneo.

As mulheres dos mineiros, durante um protesto, hoje realizado, exibiam um cartaz onde se lia: «A polícia tem de parar de disparar sobre os nossos maridos e filhos». Ajoelhadas face aos polícias, cantaram canções de protesto, em xhosa, interrogando: «O que é que nós fizemos?».

De regresso antecipado de Moçambique, Zuma dirigiu-se para a mina, a 70 quilómetros da capital, e anunciou um inquérito oficial, aliás exigido por partidos e sindicatos.

Pelo menos outras dez pessoas tinham morrido durante a greve, que dura há uma semana, incluindo os dois agentes da polícia agredidos até à morte pelos grevistas e outros dois guardas de segurança da mina, que foram queimados vivos quando os grevistas incendiaram o veículo onde se deslocavam.

Os grevistas querem aumentos salariais, de 625 para 1.563 dólares (1.268 euros).

Uma investigação divulgada na terça-feira pela Fundação Bench Marks, uma organização não-governamental que monitora as práticas das empresas multinacionais mineiras, apurou que a Lonmin tinha um mau registo, com níveis elevados de acidentes de trabalho e os trabalhadores em «muito más condições».

Há muitos mineiros a viver em barracas sem electricidade e crianças com doenças crónicas, resultantes dos esgotos a céu aberto.

O presidente da Lonmin, Roger Phillimore, emitiu hoje um comunicado, a lamentar as mortes, e a empresa já se prontificou a organizar os funerais, a disponibilizar assistência psicológica às famílias e a pagar os estudos, da primária à universidade, aos filhos das vítimas.

A Ordem dos Advogados sul-africana disse que os mineiros «têm sido vítimas de uma ruptura crescente na resolução de conflitos, em particular na indústria mineira», adiantando que «esta ruptura é sintomática do estado da sociedade e da política na África do Sul».

As lutas dos mineiros, inicialmente focadas em reivindicações salariais, estão a ser influenciadas pelas disputas entre o dominante Sindicato Nacional dos Mineiros e o nascente e mais radical Associação Sindical dos Mineiros e Trabalhadores da Construção Civil.

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