Mais desfavorecidos sofrem Alzheimer 15 anos mais cedo
Francisco George, antigo diretor geral de Saúde e presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, foi o convidado das comemorações do 45.º aniversário da Revolução dos Cravos desta manhã na Câmara Municipal do Funchal. Francisco George começou por referiu que foi um espetador da rendição do anterior regime, pois era um dos milhares de portugueses que se deslocaram para o Carmo no dia 25 de abril de 1974. “Assisti pessoalmente aos avisos de Salgueiro Maia com os seus tiros de Chaimite e, depois, à saída do presidente do conselho já rendido. São memórias impossíveis de esquecer”, disse, no salão nobre da Câmara Municipal do Funchal. Hoje, “Portugal é outro país”, pois, passados 45 anos, já metade dos portugueses nasceu antes da revolução e a outra a seguir. De um país “pobre”, com “muitos analfabetos” e “isolado”, Portugal transitou para um país livre. “Ficou aqui bem patente essa liberdade”, comentou Francisco George, em género de um aparte e numa alusão aos discursos inflamados da oposição que tinha acabado de ouvir. Apesar dos avanços, “persistem hoje desigualdades e, pior ainda, iniquidades, que são intoleráveis, inaceitáveis sobretudo na dimensão moral, até em termos de responsabilidade”, assinalou. Francisco George mostrou-se também preocupado com o fosso entre os cidadãos com altos rendimentos e os de baixos rendimentos. Essa diferença tem reflexos também sobre a saúde, de acordo com o antigo diretor geral de Saúde, pois as pessoas com altos rendimentos têm os primeiros sinais de Alzheimer quinze anos depois das pessoas com baixos rendimentos. “Não podemos viver com este ‘gap’ de forma tranquila”, declarou, não obstante “o imenso salto dado em saúde pública” desde 1974. O convidado das comemorações pediu ainda a mobilização de todos para os “três problemas que vão afetar a Região e o País” nos próximos anos. Um deles são os efeitos das alterações climáticas, que estão num processo acelerado e que têm repercussões no aumento dos cancros da pele, mas também, e sobretudo, nas condições que favorecem a invasão de novos mosquitos. O segundo problema é a resistência aos antibióticos e o terceiro é a curva descontrolada de aumento das doenças crónicas (diabetes, cancro e as doenças cardio-cerebro-vasculares, as quais constituem 86% do que custa a Saúde). “Temos todos de saber que em Portugal um milhão de portugueses têm 75 ou mais anos e destes 330 mil têm mais de 85 anos”, afirmou, salientando que “neste grupo etário pelo menos 40% têm a probabilidade de ter uma doença do tipo Alzheimer”.
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Fonte: Jornal de Madeira

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