31/01/2010, 03:00

Região tem falta de vigilantes

Actualmente, o corpo regional de vigilantes da natureza tem cerca de 30 efectivos

São actualmente pouco mais de três dezenas as pessoas que na Região trabalham como vigilantes da natureza. O número de elementos efectivos cresceu substancialmente desde 1988, altura em que foi criado o primeiro corpo de vigilantes (então com três ou quatro elementos), porém, ainda são poucos para o grande leque de trabalhos desenvolvido por estes profissionais.

Na semana em que se comemora mais um dia nacional do Vigilante da Natureza (vide texto abaixo), João Paulo Mendes, presidente da Associação de Vigilantes da Natureza da Madeira (AVNM) explica ao DIÁRIO que , com a legislação actualmente em vigor, os quadros da área permitiriam integrar até 50 elementos. "Mesmo assim não seriam demais", afirma o responsável.

Nos últimos anos, cresceram as áreas protegidas e as reservas naturais sob a égide do Serviço do Parque Natural da Madeira (SPNM). Além disso, e de ano para ano, têm vindo a aumentar os projectos de conservação e preservação da natureza (em termos de espécies animais ou vegetais) e os elementos ligados ao SPNM são cada vez mais solicitados para prestar apoio em acções de sensibilização e em projectos de educação ambiental nas escolas e outros estabelecimentos, etc.

João Paulo Mendes diz que embora ainda grande parte da comunidade associe o trabalho de vigilante da natureza a uma acção de vigia pura e simples, a verdade é que estes profissionais fazem muito mais do que simplesmente 'vigiar' as zonas para onde são destacados.

"Trabalhamos em muitas áreas", esclarece. "Desde acções de educação ambiental, aos projectos de conservação do Parque Natural. Fazemos também de 'guias' quando as pessoas visitam as reservas e quando estamos de estadia nas ilhas [Desertas e Selvagens], por estarmos mais isolados, temos mesmo de fazer de tudo um pouco".

Além de serem poucos actualmente, um dos outros desafios que se coloca ao corpo de vigilantes da natureza da Região passa pelo facto de, nos últimos anos, não terem entrado novos efectivos na área. "Estão quase todos na mesma faixa etária [entre os 30 e os 35 anos] e, se não forem entrando pessoas novas no corpo de vigilantes, dentro de 15 anos será um grupo bastante envelhecido para dar resposta às exigências do dia-a-dia".

Segundo o presidente da AVNM, o trabalho diário é complicado porque, na maior parte dos casos, exige grande destreza e muito esforço físico. "Algumas rendições são feitas de bote, temos de acartar materiais e para colaborar nos projectos de conservação da Freira da Madeira e Freira do Bugio é preciso sabermos fazer 'rappel' ou escalada", exemplifica João Paulo Mendes.

As estadias de três semanas nas Desertas e Selvagens também não são fáceis, embora as facilidades em termos de comunicações móveis criadas nos últimos anos tenham vindo a 'minorar' os efeitos da separação às famílias e amigos.

"Quem é vigilante da natureza ou o é por gosto, ou então não consegue". De qualquer maneira, João Paulo Mendes diz que é um trabalho muito gratificante no sentido em que diariamente os vigilantes têm o privilégio de ver de perto os resultados que os projectos de conservação da natureza, implementados nos últimos anos, têm trazido à Região.

Comemorações: Dia nacional assinalado terça-feira na Região

A Associação de Vigilantes da Natureza da Madeira (AVNM) promove no próximo dia 2 de Fevereiro um evento comemorativo do dia nacional do vigilante, com o objectivo "dar a conhecer esta carreira profissional e alertar para a importância que estes representam no mundo da conservação da natureza e da biodiversidade".

A iniciativa vai decorrer no auditório da Secretaria Regional do Ambiente e Recursos Naturais (Edifício Golden) e tem início previsto para as 9h15, com a sessão de abertura a ser presidida pelo director do Parque Natural da Madeira, Paulo Oliveira, seguindo-se a intervenção do presidente da AVNM, João Paulo Mendes. Depois, pelas 9h30, haverá uma intervenção sobre 'O Contributo do Vigilante da Natureza para a Conservação da Natureza na Madeira', pelo vigilante Nélson Pereira, e uma prelecção sobre 'A Biodiversidade - E depois de 2010', da responsabilidade de Domingos Abreu (presidente da Ordem dos Biólogos).

Haverá ainda um momento para debate, moderado por Paulo Oliveira, seguindo-se, pelas 11 horas, uma intervenção do secretário regional de ambiente, Manuel António Correia, que antecederá a entrega de elogios e louvores aos elementos do corpo regional de Vigilantes da Natureza que se têm destacado no serviço prestado. A sessão de encerramento está prevista para as 11h30.

Além destas comemorações, ainda neste ano, a AVNM pretende apresentar a candidatura (conjuntamente com a associação nacional destes profissionais) à realização do encontro internacional de 'rangers' em 2012. João Paulo Mendes diz que se o evento se realizar na Região será uma boa oportunidade para divulgar o trabalho dos 'rangers' e dos vigilantes da Natureza na Madeira e em todo o mundo.

Fonte: Diário de Notícias

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