03/11/2009, 03:00
Ex-combatentes lembram os mortos e os esquecidos do Ultramar
No dia 22, será feito o funeral de um soldado, cujas ossadas foram resgatadas
Pelo sexto ano consecutivo, os ex-combatentes do Ultramar lembraram os muitos companheiros que já morreram, na guerra ou depois de terem voltado à casa, depositando flores no monumento erguido na Mata da Nazaré.
"Vimos cá recordar os nossos mortos e também chamar a atenção do país, porque o país quis esquecer os seus combatentes", sublinhou o coronel Ramiro Morna, da comissão organizadora desta iniciativa.
Ramiro Morna referiu ainda que existem ainda muitos soldados que ficaram esquecidos em Angola, na Guiné ou em Moçambique, referindo que, em vez da homenagem ao soldado desconhecido, feita em França e também em Portugal, para lembrar aqueles com paradeiro incerto, após a primeira guerra mundial, no dia 22 de Novembro será realizada uma cerimónia ao "soldado esquecido". Nesse dia, será celebrado o funeral de um madeirense que morreu na Guiné, cujas ossadas serão enviadas para a Madeira.
Trata-se de um combatente do Paul do Mar que foi enterrado na Guiné e cujos restos mortais chegam à Região ao fim de 37 anos. O resgate foi feito pelos pára-quedista, numa missão que teve por finalidade resgatar também alguns dos pára-quedistas que foram sepultados na mesma vala.
Os restos mortais do soldado madeirense chegam no dia 21 de Novembro à noite e ficam em vigília junto ao monumento aos combatentes do Ultramar. No dia seguinte, seguem para o Paul do Mar para que seja realizado o funeral.
Ontem de manhã foi também realizada uma cerimónia aos combatentes do Ultramar no cemitério de São Martinho, conforme lembrou o presidente do núcleo do Funchal da Liga dos Combatentes.
Sobre a cerimónia na Nazaré, na qual esteve presente por ter sido convidado e para prestar também a sua homenagem, sublinhou que combatentes são todos, referindo que se está a "dividir" combatentes madeirenses e os que vivem noutras regiões do país.
Segundo o tenente-coronel Bernardino Laureano, aqueles que estiveram na guerra do Ultramar continuam a ser "esquecidos" e até "desprezados", em diversos aspectos. Recordou, por exemplo, os cortes que foram feitos ao nível da saúde e das pensões.
Fonte: Diário de Notícias



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