Síria: Conselho de Segurança preocupado “com risco de dispersão” de prisioneiros ‘jihadistas’
O Conselho de Segurança da ONU manifestou hoje a sua preocupação com “o risco de dispersão” dos ‘jihadistas’ detidos pelas forças curdas no nordeste da Síria, sem, no entanto, reivindicar o fim da ofensiva turca naquela região. “Todos concordamos" com o perigo de uma reconstituição do grupo extremista Estado Islâmico (EI), resumiu, em declarações à agência noticiosa France Presse (AFP), um embaixador ocidental que falou sob a condição de anonimato. Proposta por França, a curta declaração, adotada por unanimidade no final de uma reunião do Conselho de Segurança pedida pelos membros europeus, não contém, porém, nenhuma condenação da ofensiva turca na região nordeste da Síria, nem um pedido para interromper as operações do exército turco. Na declaração aprovada, os 15 Estados-membros do Conselho também manifestaram “uma grande preocupação” com a possibilidade “de uma maior deterioração da situação humanitária” naquela região síria. A declaração muito curta foi adotada por unanimidade pelos 15 Estados-membros do Conselho de Segurança da ONU, incluindo a Rússia, que nos últimos dias assumiu posições militares no norte da Síria, cenário há 10 dias de confrontos entre forças turcas e curdas. Segundo relatos das agências internacionais, tropas russas, aliadas do regime sírio, estão a patrulhar áreas no norte da Síria que foram abandonadas pelas forças norte-americanas por ordem do Presidente norte-americano, Donald Trump. No final da semana passada, após uma primeira reunião sobre a Síria, resoluções diferentes, uma apresentada pelos Estados europeus membros do Conselho (Alemanha, Bélgica, França, Reino Unido e Polónia) e outra pelos Estados Unidos, que pediam o fim da ofensiva turca, foram bloqueadas pela Rússia e China (membros permanentes do Conselho e que têm poder de veto). Desde então, os europeus e os norte-americanos melhoraram a sua coordenação, assegurou outra fonte diplomática ocidental, que também falou à AFP sob a condição de anonimato. Na terça-feira, um alto responsável norte-americano declarou que Washington “não encontrava nesta fase uma grande fuga” de prisioneiros ‘jihadistas’ detidos pelas forças curdas na Síria, apesar da ofensiva turca em curso. Cerca de 12 mil combatentes do EI, incluindo entre 2.500 a 3.000 estrangeiros, estão detidos em prisões controladas pelas milícias curdas no nordeste da Síria, segundo dados de fontes curdas. Além disso, os campos de deslocados no nordeste da Síria abrigam cerca de 12.000 estrangeiros, entre os quais 8.000 crianças e 4.000 mulheres. A Turquia lançou na semana passada uma ofensiva no nordeste da Síria contra a milícia curda das Unidades de Proteção Popular (YPG), aliada dos ocidentais no combate aos ‘jihadistas’ do grupo Estado Islâmico, mas considerada terrorista por Ancara. O objetivo da operação é criar uma “zona de segurança” de 32 quilómetros de extensão ao longo da fronteira entre a Turquia e Síria para manter as YPG à distância e repatriar uma parte dos 3,6 milhões de refugiados sírios que atualmente vivem no território turco. A ofensiva turca no nordeste da Síria já provocou, até à data, mais de 160 mil deslocados, segundo a ONU, e a saída do terreno, por medida de segurança, de várias organizações não-governamentais (ONG) que prestavam ajuda humanitária. A ação militar de Ancara abre uma nova frente na guerra da Síria que já causou mais de 370.000 mortos e milhões de deslocados e refugiados desde que foi desencadeada em 2011.
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Fonte: Jornal de Madeira

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