Catalunha: Madrid reforça segurança na região antes da sentença dos independentistas
O Governo espanhol deverá enviar centenas de agentes para garantir a segurança na Catalunha, temendo as consequências para a ordem pública de uma eventual condenação dos líderes políticos independentistas, cuja sentença se espera para os próximos dias. A data ainda não é conhecida, mas muitos observadores avançam que pode ser já no início da próxima semana, antes de 16 de outubro (quarta-feira), a data limite, dois anos depois, para os dois primeiros detidos continuarem preventivamente na prisão. Dirigentes de organizações cívicas independentistas já manifestaram a sua indignação com o pedido do Ministério Público para que o Tribunal Supremo convoque uma audiência para decidir se prolonga a prisão provisória de Jordi Sànchez e Jordi Cuixart, presos desde 16 de outubro de 2017, duas semanas depois do referendo de autodeterminação ilegal. Entretanto, a vice-primeira-ministra do governo socialista espanhol, Carmen Calvo, assegurava esta terça-feira que o executivo "tem garantida" a segurança na Catalunha na situação atual e na que se apresente quando o julgamento “procés” (processo em catalão) for conhecido. A RTVE (televisão pública espanhola) citava no mesmo dia fontes governamentais para noticiar que, nos próximos dias, o Ministério do Interior (Administração Interna) irá enviar 750 agentes da Polícia Nacional e 350 da Guarda Civil (correspondente à GNR) para reforçar a segurança na comunidade autónoma. Também na terça-feira, as chefias dos corpos de polícia da Catalunha (Mossos d'Esquadra, Guarda Civil e Polícia Nacional) reuniram-se em Barcelona para coordenar a resposta às mobilizações populares que devem ser organizadas nos próximos dias, por ocasião da sentença. Por sua vez, a porta-voz do executivo regional separatista, Meritxell Budó, avisou que haverá uma resposta institucional "iminente" se o Tribunal Supremo condenar os líderes do processo de independência falhado, embora não tenha especificado quais as ações que estão a ser ponderadas ou se implicam apenas a “desobediência”. O Governo espanhol decidiu no final de setembro “impugnar” várias resoluções aprovadas dias antes pelo parlamento catalão de maioria independentista que defendem a legitimidade da “desobediência civil" e institucional e pedem a retirada da Guarda Civil da região. Os partidos independentistas fizeram-se valer da sua maioria na assembleia para aprovar uma proposta que defende “a legitimidade da desobediência civil e institucional como instrumentos de defesa dos direitos civis, políticos e sociais”. Numa outra resolução, é pedida a “retirada” dos efetivos da Guarda Civil que se encontram na Catalunha, assim como a demissão da delegada do Governo na região. Para o aumento do ambiente de confrontação na Catalunha contribuiu ainda a decisão tomada, também no final do mês passado por um tribunal, de manter na prisão sete dos nove independentistas catalães detidos preventivamente poucos dias antes por estarem, supostamente, a planear realizar ações violentas. Ao todo são 12 os independentistas que aguardam a leitura da sentença pelo seu envolvimento nos acontecimentos que levaram ao referendo ilegal sobre a autodeterminação da Catalunha realizado em 01 de outubro de 2017 e à declaração de independência feita no final do mesmo mês. Nove deles estão presos, acusados de “rebelião”, e arriscam-se a ser condenados a penas de até 25 anos de prisão, como é o caso do ex-vice-presidente do Governo catalão Oriol Junqueras. O ex-presidente do executivo regional Charles Puigdemont faz parte de um grupo de separatistas que continuam fugidos no estrangeiro e não foram julgados, porque a Espanha não julga pessoas à revelia. O aumento da tensão na Catalunha poderá ter um efeito desestabilizador em Espanha, numa altura em que o país está politicamente bloqueado, depois das eleições legislativas realizadas em 28 de abril último e do fracasso em formar um novo Governo. O país está em plena pré-campanha eleitoral para as novas eleições legislativas antecipadas que se vão realizar a 10 de novembro próximo. Para os próximos dias também se espera que o corpo de Francisco Franco, um ditador que governou a Espanha até 1975, seja exumado do mausoléu do Vale dos Caídos em que se encontra neste momento. A transferência dos restos mortais e toda a carga simbólica que acarreta estão a ser seguidos com atenção em Espanha e no estrangeiro.
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Fonte: Jornal de Madeira

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